Queda de Moro derruba bolsa e pode acelerar ataques a Guedes e Tereza Cristina

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A queda do ministro da Justiça, Sérgio Moro, um dos maiores nomes internacionais no combate à corrupção, causa turbulências no mercado financeiro e pode acelerar ataques a titulares da área econômica do governo: os ministros Paulo Guedes, da Economia, e Tereza Cristina, da Agricultura.

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O Ibovespa cai 8,89% às 12h28min desta sexta-feira e o dólar foi para R$ 5,7. Esta é a reação imediata de investidores. A crise começa pela bolsa, mas depois se espalha na economia. Além da saída de Moro, preocupa os investidores o fato de ele ter deixado claro que o presidente Jair Bolsonaro quer controlar a Polícia Federal para impedir o avanço de inquéritos. Fazer esse controle num órgão idependente e totalmente digitalizado é difícil, mas com medidas aqui e ali o presidente tem conseguido salvar seu clã de processos judiciais desde que assumiu, no ano passado, fragilizando a Justiça e a confiança de investidores.

Mas não basta isso. Cada vez mais confiante da força da sua caneta, o presidente foi contra o isolamento social horizontal para proteger a população da pandemia, se posicionou contra ajuda que considerou excessiva do governo federal para socorrer empresas, estados e município na crise do coronavírus e, agora, aventurou o seu chefe da casa civil, general Walter Braga Netto, à revelia do ministro Guedes, lançar um plano de investimento para o país voltar a crescer. Denominada Pró-Brasil, a proposta prevê destinar R$ 300 bilhões em grandes obras, mas está sendo rigorosamente criticada por imitar o PAC dos governos do PT e porque o país não tem dinheiro para projetos assim agora.

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Isso mostra "fritura" a Guedes, um dos ministros anunciados ainda na campanha que, com proposta de um choque liberal, faria a economia brasileira crescer. Ele realmente está à frente de um superministério e, se deixar o governo, a crise econômica se amplia de vez. Ficou mais enfraquecido, o que piora ainda mais a imagem do Brasil junto aos investidores estrangeiros, que esperam desde o ano passado para ver como o país ficará.

E a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que faz um trabalho técnico reconhecido, também passou a ser fritada nas redes sociais. Os ataques são atribuídos ao gabinete do ódio porque ela é do Democratas. (Fiz um artigo sobre esse tema e impactos para SC. Leia aqui). Tereza Cristina é deputada federal e não ficará tolerando agressões.

Essas crises permanentes permitem concluir que o presidente Jair Bolsonaro só pensa no seu projeto político, ignorando a necessidade de cuidar da saúde e da economia dos brasileiros nesta que é uma das maiores crises da história da humanidade. A área econômica pode ser a próxima vítima no governo porque o presidente tem agido em série, sempre buscando derrubar alguém que se destaca. Assim, ele faz o povo esquecer a crise anterior e se mantém em evidência.