Imagine uma região sem rodovias duplicadas e vias de qualidade onde são feitas nada menos do que 5.240 viagens diárias de caminhões e são transportados 344 contêineres de proteína animal diariamente, o que soma 90 mil contêineres por ano. Esse é o movimento do agronegócio de carnes de Santa Catarina, concentrado no Oeste, que clama por ferrovias. O recado do setor ao presidente Lula é que viabilize o mais breve possível a construção da Nova Ferroeste, obra privada que vai conectar o Oeste de SC com o Paraná e o Mato Grosso do Sul para trazer grãos.
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Essa demanda foi destacada no Simpósio de Integração Logística do Sul, realizado durante a Feira Internacional de Negócios, Processamento e Industrialização da Carne (Mercoagro), que acontece esta semana em Chapecó. A organização do evento de logística foi da Associação Empresarial de Chapecó (Acic). O evento contou com uma série de palestras, entre as quais a do diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Carnes de SC (Sindicarne-SC), Jorge Luiz de Lima, e o secretário de Estado de Portos, Aeroportos e Ferrovias, Beto Martins.
O projeto da Ferroeste já está no Plano Nacional de Logística e grupo chinês manifestou interesse em investir na obra. Além dessa conexão com o Mato Grosso do Sul, a ferrovia terá uma ligação até o Porto de Paranaguá.
Para lideranças do agro presentes no evento, esta ferrovia para trazer grãos para alimentação animal é a única forma de manter o setor de proteína ativo na Região Sul. Do contrário, vai migrar para o Centro-Oeste, causando uma retração relevante da atividade econômica da região.
O diretor executivo da Associação Catarinense de Avicultura (Acav), Jorge Luiz de Lima, chamou a atenção também para outros números do setor. Segundo ele, o agro movimenta anualmente mais de R$ 7 bilhões em SC, na produção e exportação de carnes de aves e suínos.
Além disso, gera mais de 60 mil empregos diretos e mais de 480 mil indiretos. O setor abate no Estado 4 milhões de aves e mais de 34 mil suínos diariamente.
O agronegócio, que envolve também a cadeia industrial florestal, responde por 70% do volume de exportações e por 31% do PIB de SC.
Entre os palestrantes no simpósio esteve também o diretor de Commoditeis e Logística da Seara Alimentos, Arene Trevisan. Segundo ele, a produção de grãos no Brasil se deslocou para o Centro-Oeste nos últimos 20 anos e isso coloca em risco, agora, o setor de transformação de alimentos na Região Sul do Brasil. As ferrovias, segundo ele, são a solução para evitar a retração do setor na região.
O coordenador do Plano Estadual Ferroviário do governo do Paraná, Luiz Henrique Fagundes, apresentou o projeto da Ferroeste no evento. Segundo ele, essa conexão ferroviária vai reduzir em cerca de 30% o custo Brasil e trazer mais eficiência para toda a cadeia produtiva.
Dos 1.567 quilômetros de trilhos, um ramal vai até Chapecó. O objetivo será levar de 5 milhões a 7 milhões de toneladas de grãos, que é o consumo anual de alimentos da avicultura e suinocultura da região Oeste de SC.
O secretário Beto Martins informou que está em execução o projeto de uma ligação ferroviária entre Navegantes e Correia Pinto. Daí, completa a extensão até Chapecó, atendendo pleito de décadas que é ligar o Leste ao Oeste do Estado por ferrovia. Outros projetos ferroviários também estão sendo feitos no Estado.
Como o setor público não tem recursos para investimentos, a solução é o capital privado, mesmo que seja estrangeiro. Pela pujança da economia de SC, a expectativa é de que seja viável, economicamente, uma ferrovia passando pelo centro do Estado.
Mas a pressa maior de SC é para trazer grãos do Centro-Oeste ao Oeste. Isso o governo federal pode acelerar, dando à gestão do presidente Luíz Inácio Lula da Silva a oportunidade histórica de iniciar a construção de ferrovias.
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