Respiradores e as pressões de vários lados 

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A entrevista concedida hoje por três secretários do governo de Santa Catarina para explicar a compra superfaturada de 200 respiradores por R$ 33 milhões contou com uma narrativa lógica, informações sobre o contexto do mercado e sobre apurações já feitas. Mas além dos aspectos técnicos há pressões políticas que não vêm somente de fora do governo. Auditores internos fazem cobranças.

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Os secretários Jorge Eduardo Tasca, da Admininstração (SEA), Luiz Felipe Ferreira, da Controladoria Geral do Estado (CGE) e Naiara Augusto, da Secretaria Executiva de Integridade e Governança (SIG) detalharam as condições adversas para a realização desse negócio. Os três observaram que a situação do mercado mundial para a compra de respiradores é única e a mais adversa já registrada porque o mundo todo está adquirindo esse produto, que é escasso.

Naiara Augusto falou que a Secretaria da Saúde fez mais de 100 compras este ano para atender demandas da pandemia de coronavírus e a maioria transcorreu bem. Ferreira observou que podiam ter havido mais justificativas sobre riscos de custos em compras de última hora, mas está confiante que as investigações vão esclarecer tudo sobre o episódio.

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O governo tem pressa nos esclarecimentos e que a compra se concretize dentro do esperado. Isso porque na esfera política enfrenta o pedido de CPI na Assembleia Legislativa e também pressão interna. O Sindicato dos Auditores Internos do Poder Executivo (Sindiauditoria), tem questionado as funções das duas novas estruturas de controle do Estado, a CGE e a SIG e cobra mudanças.

Neste domingo (03/05), o sindicato enviou um ofício ao governador Carlos Moises mostrando preocupação com os problemas recentes em compras da Saúde e sugerindo que o cargo de Controlador Geral do Estado, hoje ocupado pelo professor Ferreira, contador e professor universitário, seja transferido para um auditor de carreira.

O Sindiauditoria cita empresas estatais lideradas por profissionais técnicos de carreira como a Casan, a Epagri e a Procuradoria Geral do Estado e defende que a CGE também seja administrada por um técnico da área, ou seja, um auditor fiscal. Até 2018, o trabalho de controladoria do Estado era feito pela Diretoria de Auditoria Geral (Diag), na estrutura da Secretaria de Estado da Fazenda. Com a CGE, que é nova, auditores da Fazenda foram transferidos para a nova estrutura. A CGE e SIG foram criadas com o objetivo de melhorar os conroles internos e reduzir a corrupção.