Risco de El Niño acende alerta e portos de SC não conseguem absorver cargas em caso de fechamento dos terminais de Itajaí e Navegantes

O Complexo Portuário Itajaí-Navegantes é estratégico para a economia catarinense e de parte do Brasil. Por isso, suas atividades, mesmo parciais, são importantes

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O canal de acesso do rio Itajaí-Açu atende aos portos de Itajaí e Negantes (Portonave), além de outros teminais privados, nas diversas margens do rio (Foto: Portonave, Divulgação)

Apesar de ter cinco portos em atividade, Santa Catarina não tem infraestrutura portuária para absorver a movimentação de cargas devido a um eventual fechamento do canal do Complexo Portuário Itajaí-Navegantes em caso de eventos climáticos do El Niño, um problema que pode acontecer neste ano, a partir de novembro. Existe uma capacidade parcial de absorver cargas. Essa foi a conclusão de reunião para elaborar plano de contingência realizada pela Federação das Associações Empresariais do Estado (Facisc), portos, autoridades portuárias e o governo estadual na tarde desta quinta-feira.

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A iniciativa de discutir esse tema aconteceu porque o fechamento do canal do rio Itajaí-Açu é um risco frequente e acontece principalmente devido à correnteza. A última situação crítica foieu em outubro de 2023, quando o canal ficou fechado por 16 dias e mais de 40 navios não puderam movimentar cargas nos dois terminais. Hoje, uma semana de canal fechado impede o atracamento de 20 navios.

De acordo com o diretor Setorial da Facisc Lito Guimarães, com o El Niño, existe uma grande preocupação sobre esse risco por parte do Conselho de Comércio Exterior e Negócios Internacionais (CONCENI) da Federação, que reúne exportadores, importadores, agentes de carga, operadores portuários e de logística. Outra reunião sobre esse tema já foi realizada na Secretaria de Estado de Portos.

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Pouca capacidade ociosa

A reunião visou apurar quanto os demais portos poderiam absorver das cargas que não poderiam ser movimentadas em Itajaí e Navegantes. Mas a capacidade ociosa é limitada.

A Santos Brasil, que opera o Tecon Imbituba, informou que pode receber 9 mil TEUs a mais por mês sem comprometer o atendimento aos seus clientes. O terminal movimentou 130 mil TEUs em setembro, recorde, e opera quatro linhas regulares. O executivo da empresa que participou da reunião, Leonardo Silva, explicou que o limite não está no cais, que pode receber navios de 366 metros, mas no pátio.

O Porto Itapoá, também tem uma capacidade limitada para receber mais cargas, apesar das últimas expansões. O terminal opera com mais de 80% da capacidade e prepara uma ampliação de 120 mil metros para receber contêineres, mas será um espaço para abrigar cargas antecipadas (pré-stacking) de exportações, explicou o executivo Alberto Machado.   

Representante da JBS Terminais, Marcio Pereira afirmou que nenhum outro porto do estado pode movimentar todo o volume de Itajaí e Navegantes por muito tempo. Além disso, quem decide o destino de navios são os armadores. Se os embarques tiverem que parar, os exportadores terão que reduzir a produção ou direcionar cargas.

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O presidente da Portonave, Osmari de Castilho Ribas, afirmou que se o Complexo Portuário Itajaí-Navegantes para, nem Santa Catarina e nem o Brasil teriam condições para movimentar essas cargas.

A operadora portuária SC Portos, que atua com 20 serviços de navegação semanal em Itajaí, também não tem condições de ampliar atividade em caso de evento climático, informou o diretor Antonio Carlos Guimarães Neto.

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Correnteza fecha mais vezes o canal

O que quase sempre fecha o canal do rio Itajaí-Açu é a correnteza das águas do rio. De acordo com Artur Antunes Pereira, diretor da autoridade portuária de Itajaí, os últimos eventos foram causados por excesso de vazão e o aumento da correnteza. Não foi devido ao assoreamento do canal.

Medidas para informar e reduzir riscos

Desde maio, a Autoridade Portuária de Itajaí vem fazendo internamente um monitoramento dessas causas com a participação de cientistas da Udesc. Além disso, foi contratado agora um monitoramento ambiental que vai informar sobre ventos e correnteza a partir de 10 de novembro.

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Além disso, outras medidas técnicas estão em andamento. A lista inclui aprofundamento dos estudos hidrodinâmicos do rio, a retomada da dragagem com a chegada da draga hopper e outros estudos técnicos para uma reorientação avançada do uso do canal em situações emergenciais, informou Artur Antunes Pereira.

Para o secretário de Estado de Portos, Ivan Amaral, é importante considerar o uso da capacidade de Imbituba e Itapoá em caso de eventos climáticos grandes. Isso porque quando ocorre correnteza excessiva, é preciso fechar o canal dos portos.

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Na reunião, lideranças também destacaram a importância de órgãos fiscalizadores como a Receita Federal e o Ministério da Agricultura acelerarem a liberação de cargas no setor portuário do estado para amenizar as perdas quando ocorrem esses eventos climáticos com fechamento de porto.