O preço da saca da soja no Brasil, este ano, surpreende. Nesta quinta-feira, o produto estava cotado a R$ 109, o que representa alta nominal superior a 30% frente a preços médios de julho do ano passado, que estavam em torno de R$ 80 por saca. A exemplo do Brasil, a soja também é o principal produto agrícola de Santa Catarina. A seca causou uma perda de 3% na safra 2019-2020 da leguminosa no Estado, mas isso está sendo compensado ao produtor com preço de venda maior, informaram técnicos do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Epagri/Cepa) nesta quinta-feira. A quebra da safra de soja e milho gerou prejuízos de R$ 375 milhões este ano aos produtores catarinenses, mas os preços melhores superam as perdas.
Safra do contraste em Santa Catarina
Ao apresentar relatório que marca o fim da safra de verão e projeção para a safra de inverno, os técnicos da Epagri informaram que o milho teve perda de produção de 11%, o arroz cresceu 8%% e o feijão teve queda de 9%. Dos produtos de inverno, a expectativa maior é com a cebola porque SC lidera a produção nacional com 30% do total. A área plantada foi 7,4% menor. A produção de alho teve área plantada 8% maior e o plantio de trigo deve crescer 7,8% em área, com estimativa de um aumento de 17,52% na produção.
Estiagem em Santa Catarina causa redução nas safras de milho, feijão e batata
A economista Glaucia Padrão, do Centro de Socioeconomia da Epagri, informa que as perdas com a produção de soja devido à estiagem foram da ordem de R$ 237 milhões, e as de milho, R$ 138 milhões. O problema começou no plantio e seguiu na fase de desenvolvimento das plantas.
– Apesar da forte estiagem, que provocou danos à produção, tivemos ganhos de produtividade em algumas regiões do Estado como São Miguel do Oeste e Chapecó, que tiveram produtividade de soja e milho acima das observadas no ano anterior. Outro destaque é a safra de arroz, que obteve produtividade significativa na região Sul do Estado – explicou Glaucia Padrão.
Segundo ela, as altas dos preços da soja e do milho resultam, principalmente, da desvalorização do dólar, mas também estão ligadas à maior demanda no mercado internacional. A China tem comprado mais para ampliar estoques.
O preço do milho no mercado brasileiro, a exemplo da soja, teve alta superior a 30% este ano frente a 2019. Enquanto, no ano passado, uma saca de milho custava R$ 37, neste ano está em torno de R$ 50. O arroz também teve variação expressiva no preço, pressionado pela seca no Rio Grande do Sul. No ano passado, a saca estava numa média de R$ 48 e, neste ano, subiu para R$ 62 ou R$ 63.
Segundo o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de SC (Faesc), Enori Barbieri, não faltaram recursos para a safra 2019-2020, mas a seca atingiu muito a produção. Ele mostra preocupação com a alta demanda de milho no Estado, em função da produção de suínos e aves.
– Na produção de milho, diminuímos a área plantada em 2% e colhemos 300 mil toneladas a menos, somente 2 milhões de toneladas. Aí vem um problema porque o nosso Estado necessita de 7 milhões de toneladas por ano para abastecer o sistema agroindustrial – alertou Barbieri.
