Santa Catarina é o estado do Brasil com a maior participação feminina no trabalho industrial. No ano de 2025, as mulheres representaram 33,65% do total de trabalhadores do setor no estado, enquanto a média nacional ficou em 25,79%. Foi isso que apurou análise de dados feita pelo Observatório Fiesc, da Federação das Indústrias de Santa Catarina. Ele identificou também avanço na participação feminina nos cargos executivos e de engenharia.
O estado encerrou 2025 com 314.740 trabalhadoras no setor industrial. Entre 2022 e 2025, houve um crescimento de 12.094 no número de contratos de mulheres no setor, com avanço em todas as áreas e destaque em funções mais especializadas, indo além de atividades tradicionalmente femininas como trabalho nos setores têxtil e de alimentos.
Mais executivas e engenheiras
Entre 2022 e 2025, o número de mulheres em cargos de direção e gerência cresceu 13,2%, passando de 7.256 para 8.216 trabalhadoras nessas funções. Assim, a participação média feminina nessas ocupações subiu de 34,69% para 36,83%.
A presença feminina também cresceu em funções mais especializadas como de engenharia, arquitetura de outras. Segundo o estudo do Observatório, o número de vínculos ocupados por mulheres nessas funções aumentou 13%, entre 2022 e 2025. Em média, nessas áreas, a participação feminina passou de 22,70% para 24,49% em três anos.

Avanço em funções técnicas
Outro avanço feminino foi em atividades de nível técnico nas áreas de ciências, física, química e engenharia. O número de mulheres cresceu 8,2% nessas áreas, com a participação feminina passando de média de 16,4 38% para 16,8 79% entre 2022 e 2025.
A análise apurou ainda que os maiores crescimentos absolutos na contratação de mulheres nos últimos três anos, ocorreram nos setores de alimentos (mais 5.413 contratações), borracha e plástico (3.641), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (2.894), máquinas e equipamentos (1.833) e produtos de metal (1.383).
Na construção civil, a participação feminina chegou a 8,7% no final de 2025, nas obras de infraestrutura ficou em 9,1%, na construção de edifícios 11,8%, na metalurgia 12,8% e para fazer produtos de metal e máquinas e equipamentos ficou entre 19% e 20% do total.
“Santa Catarina tem uma indústria que está à frente da média brasileira também na participação das mulheres. Esse resultado mostra que o setor industrial catarinense vem ampliando oportunidades e aproveitando cada vez mais a qualificação feminina. Ainda temos desafios pela frente, mas estar acima da média nacional demonstra que o Estado está avançando na direção de uma indústria mais diversa e competitiva”, comentou Gilberto Seleme, presidente da Fiesc.
A gerente executiva de Desenvolvimento Industrial e Performance de Operações da Fiesc, Vanessa Wohlgemuth, afirma que os dados mostram uma mudança importante no perfil da inserção feminina na indústria.
“O avanço em engenharia, nas ocupações técnicas e, principalmente, em direção e gerência mostra que as mulheres estão ampliando sua presença em espaços estratégicos da indústria”, diz Vanessa Wohlgemuth.
As indústrias catarinenses estão contratando mais mulheres para linhas de produção automatizadas, apara operar máquinas mais tecnológicas ou robôs, que exigem mais conhecimento técnico e não requerem esforço físico. Isso ocorre em diversos setores, entre os quais têxtil, automotivo e de produção metalmecânica.
