Entre os números positivos do balanço do setor cooperativista de Santa Catarina em 2019 está a conquista da marca de 1 milhão de mulheres associadas. O sistema cooperativo do Estado encerrou o ano passado com 2,698 milhões de associados, dos quais 1.088.957 eram mulheres (40%) e 1.609.356 eram homens (60%).
Enquanto o setor cresceu 9,67%, o número de associadas avançou 16%, informa o presidente da Organização das Cooperativas de Santa Cataina (Ocesc), Luiz Vicente Suzin. Ele valoriza o fato de SC ser o Estado mais cooperativo do Brasil com participação de mais de 38% da população no sistema e diz esperar um crescimento ainda maior da participação feminina. Esse avanço no Estado acontece mais pelo cooperativismo de crédito. Em 2005, apenas 8% dos associados eram mulheres.
Uma das líderes do setor com atuação em dois ramos fortes do cooperativismo catarinense é a médica Cristina Maria Ionnani de Moares, cirurgiã pediátrica de São Bento do Sul. Ela foi presidente da Unicred Planalto Norte, a cooperativa de crédito dos profissionais de saúde da região e, depois, também assumiu a presidência da Unimed Planalto Norte, a cooperativa dos médicos. Cristina de Moraes ingressou no cooperativismo pela Unicred em 1996, sendo uma das fundadoras da organização na região. Se apaixonou pelo sistema, começou a estudar e foi assumindo cargos de liderança até chegar à presidência.
Mais tarde, ela participou da primeira fusão de Unicreds do país, quando a do Planalto Norte e a de Joinville se uniram para ficar mais fortes e viabilizar mais negócios aos associados. Depois, se uniram com a Unicred Litoral de SC e formaram a atual cooperativa central Unicred União. Como também participava da Unimed como médica associada, Cristina de Moraes também presidiu a Unimed Planalto Norte. Ela nunca deixou de ter função na Unicred, onde hoje atua como conselheira fiscal.
– Eu acredito muito no cooperativismo. É uma coisa honesta, todo mundo é dono, você pode falar o que você pensa. Você não é um número. Eu vou defender sempre o cooperativismo. Para você der ideia, eu só tenho conta na cooperativa, não tenho conta em banco. É questão de confiança. A gente vive o bastidor, a gente sabe como as coisas funcionam. É com muita gratidão que eu vejo o sistema cooperativo, tanto a Unicred, quanto a Unimed – diz Cristina de Moraes.
A pediatra recomenda a todos se associarem em cooperativas. No caso de um médico jovem, ela diz que a Unicred colabora tanto com o financiamento para instalar o consultório, quanto para fazer um hospital, se necessário.
Cristina de Moraes mostra com exemplos o propósito do cooperativismo, que é um sistema econômico socialista pelo qual as pessoas se associam para produzirem ou prestarem serviços juntas e, assim, serem mais fortes. É um sistema em que são compartilhadas as sobras (lucros), mas também os prejuízos.
O setor conta com diversos ramos de negócios, entre os quais o agropecuário – o mais forte de Santa Catarina – de crédito, saúde, transporte, educação e infraestrutura. O de crédito avança mais em SC e no Brasil porque a pessoa associada é a “dona” do próprio banco, podendo fugir assim dos altíssimos custos financeiros dos bancos tradicionais. Vale destacar que as mulheres sempre participaram no cooperativismo, desde o início desse sistema na Europa, que nasceu em Rochdale, Inglaterra, numa associação de tecelões em 1844.
A robô Alice é homenagem
Foi para homenagear essa participação histórica feminina no setor que a assistente virtual do Sicoob, o maior sistema de cooperativas de crédito de SC e do Brasil, se chama Alice. Ela leva o nome de Alice Acland, que em 1883 fundou em Edimburgo, na Escócia, Reino Unido, a Aliança Cooperativa das Mulheres, primeira organização totalmente feminina do sistema.

A robô brasileira Alice, com seus cabelos cacheados, resolve praticamente 70% das dúvidas bancárias de clientes do Sicoob por meio do aplicativo da instituição.
