Com o fim da escala 6X1, empresas do setor supermercadista listam desafios como alta no custo de pessoal de no mínimo 10% podendo chegar a 30%, falta de candidatos para novas vagas e aumento real nos preços aos consumidores em até 1,5%. Uma alternativa para enfrentar custos maiores poderá ser a redução do tempo de abertura de lojas.
Esses pontos foram colocados pelo presidente da Associação Catarinense de Supermercados (Acats), Alexandre Simioni, durante o Super Summit, novo evento sobre inovação e conhecimento ao setor realizado pela entidade nesta terça-feira (20) no CentroSul, em Florianópolis.
De acordo com o empresário, o setor não está sugerindo um plano geral para todas as empresas do setor se adaptarem à nova escala de trabalho e redução de jornada. Cada uma deverá adotar as medidas necessárias para cumprir a lei e que forem melhores para o seu negócio.
“Nós estimamos que o custo com pessoal vai crescer no mínimo 10%. Mas a empresa menor vai ter um custo maior porque tem equipes menores para atendimento. A mudança vai impactar mais no pequeno varejo, mas afetará todas as empresas. Nós estimamos em torno de 1% a 1,5% o aumento real nos preços de produtos nos supermercados”, afirmou Simioni.
Um estudo da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) concluiu que os aumentos dos custos com pessoal ao setor em função do fim da escala 6X1 e redução da jornada em quatro horas semanais vão variar de 17% a 20% nas empresas de maior porte, mas podem chegar a 30% nas lojas menores. Entre as alternativas citadas pelo setor para reduzir custos está mais automação. Um destaque nessa área é o maior uso de equipamentos de autoatendimento (self-checkout).
Mudanças em meados de dezembro
O presidente da Acats chama a atenção também para o período de entrada em vigor das novas regras: meados de dezembro. É uma fase em que as empresas ampliam equipes para atender melhor nas vendas de final de ano. Por isso terá menos profissionais disponíveis para contratar e os salários poderão ser mais altos.
“Vamos nos adaptar. A gente escuta alguns movimentos. Por exemplo, a redução de horário de atendimento das lojas. Quando é uma cidade menor, que tem três a quatro supermercados, é fácil. Mas quando são centros maiores, que têm muitos players, ninguém quer ficar para trás, fechar antes do concorrente”, comenta o empresário.
Em Santa Catarina, a legislação permite aos supermercados horários de atendimento mais livres. As empresas não precisam fechar nos fins de semana, por exemplo.
Desafios para implantar nova escala
“Entre os impactos dessa mudança no trabalho, podem ocorrer queda da qualidade dos serviços nas lojas, dificuldades para reposição de produtos e mais rupturas na oferta. Isso porque o impacto vai começar lá no produtor que, muitas vezes, depende de mão de obra para manter o fornecimento”, observou Simioni.
Ainda de acordo com presidente da Acats, essa mudança vai impactar na indústria que poderá aumentar seus preços porque perderá quatro horas de produção por semana. Isso tudo gera mais custos que serão transferidos aos consumidores.
“Tomara que as indústrias consigam se adaptar e não repassar isso aos preços”, comentou o presidente da associação supermercadista.
Entre as recomendações gerais da associação está iniciar logo as negociações com sindicatos de trabalhadores para construir convenções coletivas com o regime compensatório previsto na nova lei. O objetivo é garantir as duas folgas semanais aos trabalhadores e preservar o atendimento aos domingos e feriados.
O setor em números
A Acats destaca que o serviço de supermercados é essencial, atende todos os dias. Em Santa Catarina, o setor emprega em torno de 230 mil pessoas, conta com 16 mil estabelecimentos e responde por cerca de 5% da arrecadação do imposto estadual ICMS. O setor informa que não é contra a mudança de escala para que os trabalhadores tenham mais descanso, mas pretende fazer as adaptações necessárias com antecedência.
