Análise de dados realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio SC) concluiu que o primeiro tarifaço dos Estados Unidos gerou forte impacto negativo na confiança do consumidor e do empresário do comércio do estado. Além disso, limitou a oferta de novos empregos.
A federação analisou indicadores de antes e depois da entrada em vigor das tarifas, comparando dados de consumo, emprego, confiança e inadimplência. Desses, somente o volume de vendas manteve média de crescimento. Isso é um alerta de que a economia de SC pode ser mais impactada com o segundo tarifaço do governo americano.
Queda relevante da confiança
O estudo concluiu que desde o início do tarifaço em agosto de 2025 até agora houve redução de 6,9% na intenção do consumo das famílias e queda de 9,5% na confiança do empresário do comércio. E o índice que mede a percepção sobre as condições atuais da economia recuou 20,1% no período.
Criação de emprego perde ritmo
O tarifaço também impactou negativamente o emprego. No período após o início do tarifaço, o saldo médio mensal de vagas no comércio do estado caiu 66,3%. Passou de uma média de 1.576 novas vagas mensais para 532 vagas. Também aumentou o número de meses com saldo negativo na criação de vagas.
Nesse período analisado, a retração na geração de novas vagas no estado chegou a 44,8%, o que confirma o maior impacto no setor comercial.
Cenário geopolítico pior
O presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, avalia que esses dados negativos e outros desafios da economia mostram que o cenário econômico exige maior atenção.
– Santa Catarina está acompanhando com preocupação esse novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos. O mundo tem enfrentado diversos problemas geopolíticos, que contribuem para a elevação da inflação global, incluindo o Brasil. Esse processo corrói o poder de compra da população e impacta diretamente a confiança de consumidores e empresários. Além disso, a inflação mais alta mantém os juros elevados, criando um ciclo vicioso que dificulta a recuperação da economia – destaca o presidente da Fecomércio SC.
Crescimento da inadimplência
Outro indicador que piorou em Santa Catarina foi a inadimplência. A pesquisa da Fecomércio mostrou que o percentual de famílias com contas em atraso passou de 23% para 29,7% após o tarifaço. Também cresceu o número de famílias que não têm condições de pagar contas atrasadas.
Esses indicadores piores desde agosto do ano passado também sofreram efeitos do longo período de juros altos na economia – que demoram a chegar na ponta – e do crescente endividamento das famílias.
Apesar disso, era esperado impacto negativo em toda economia catarinense em função do tarifaço pelo fato de o mercado americano ser o maior do estado no exterior e isso aparece nesse estudo do comércio.
Estudo da Federação das Indústrias de SC (Fiesc) sobre os efeitos negativos do primeiro tarifaço apontou queda de 38,2% na receita das vendas para os EUA no período. Também concluiu que a indústria deixou de gerar cerca de 7,6 mil novos empregos no período.
