Tesouro escondido em mangues de SC tem potencial para gerar lucro de R$ 10 milhões por ano

Estado tem aproximadamente 6.300 hectares de mangues com potencial de 63 mil créditos de carbono azul por ano. Tema foi debatido em evento em Florianópolis

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Encontro sobre manguezais reuniu especialistas no plenarinho da Alesc. Na imagem, o professor Paulo Horta e o presidente do Impac, Mauro Passos, durante o evento (Foto: Ana Quinto, Agência Alesc)

Os mangues são ecossistemas que geram créditos carbono azul, com valor de mercado equivalente a 10 vezes os créditos de florestas porque abrigam diversidade natural mais eficiente. Santa Catarina conta com cerca de 6.300 hectares de mangues no litoral, que podem garantir receita de R$ 10 milhões por ano. A falta de preservação dos mangues e seu potencial econômico foram tema de evento do Mês do Meio Ambiente, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina.

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O Encontro sobre Manguezais Catarinenses foi uma iniciativa do Instituto Mauro Passos de Proteção Ambiental e Climática (Impac), em parceria com a Comissão do Meio Ambiente da Alesc. Falaram sobre o tema os professores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Paulo Horta e Paulo Pagliosa, o CEO da empresa Carbon Zero, Carlos Alberto Ferreira, e o deputado Marquito (Psol), presidente da comissão.

Baia da Babitonga tem maior mangue de SC

– Muitas pessoas associam os manguezais ao Norte e Nordeste do país, mas Santa Catarina também possui áreas extremamente relevantes, embora menores em extensão, mas elas possuem uma enorme importância ecológica. E uma das regiões mais importantes é a Baia da Babitonga, no Norte do estado. Outra região importante são os manguezais da Grande Florianópolis – destacou Ferreira, que faz estudos sobre mangues em diversos estados do Brasil.

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Segundo ele, os 6.300 hectares de mangues de SC têm potencial para gerar 63 mil créditos de carbono por ano. Cada crédito, atualmente, custa US$ 10 dólares e o total estimado para SC é de US$ 1,8 milhão por ano (R$ 10 milhões). Quem compra esses créditos normalmente são empresas de transporte marítimo.  

A preservação e recuperação dos manguezais é relevante para o equilíbrio ambiental, proteção das áreas litorâneas e também para a geração de renda via venda de créditos. Os mangues têm capacidade quatro vezes maior de capturar carbono na comparação com as florestas e retêm carbono por mais tempo.  

O deputado Marquito chamou a atenção sobre a crescente degradação de manguezais do estado, que estão presentes desde Itapoá até Laguna. Destacou sobre a importância de informar sobre esse ecossistema a todos, em especial na educação ambiental de crianças e jovens.

– Temos como superar as mudanças climáticas através dessas ações proativas de preservação do meio ambiente, dos ecossistemas. Eles se recuperam, se regeneram, se reestabilizam, mas é preciso ação concreta nesse sentido – alertou Marquito.

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Mangues são “florestas marinhas”

O professor e biólogo Paulo Horta afirmou que os manguezais são florestas marinhas fundamentais para o equilíbrio planetário. Elas também são capazes de cuidar da qualidade da água e recuperar a balneabilidade das praias.

– Os limites planetários foram implodidos. Os oceanos estão poluídos, mais quentes, e não param de subir, e os manguezais não são imunes a essa situação – enfatizou Paulo Horta.

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Paulo Pagliosa, também professor e biólogo da UFSC, explicou que os mangues sequestram quatro vezes mais gás carbônico que as florestas e retêm o carbono de 12 a 30 vezes mais.

– Nos últimos anos, vimos mais de 100 solicitações de construções de moles e piers em Santa Catarina, e 18 solicitações de aterros de praias – destacou Paulo Pagliosa.

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Tema se torna prioridade do Impac

O presidente do Impac, engenheiro e ex-deputado Mauro Passos, avaliou que o amplo debate sobre os mangues mostrou que o instituto está no caminho certo, de priorizar temas ambientais relevantes para o estado.

– Esse evento é o início de um debate importantíssimo para Santa Catarina. As informações apresentadas motivam a me envolver ainda mais com o tema – disse Mauro Passos.

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Para ele, entre os esclarecimentos positivos estão as diferenciações desse ecossistema, seu valor maior para o desenvolvimento econômico, social e ambiental. Foi esclarecido também que o crédito ambiental vai para os proprietários das áreas de mangues, podendo ser o setor público ou o setor privado (famílias e empresas).