Diagnóstico complicado no Figueirense

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A grande questão no Figueirense é responder o que acontece com o time que foi campeão catarinense e começou a Série B com três vitórias seguidas, o mesmo que agora acumula três derrotas seguidas também. Dos jogos que perdeu, o Figueirense teve uma atuação ruim em Pelotas. Foi um time apático e que não teve resposta ao futebol de imposição física do Brasil-RS. E pode reclamar do pênalti marcado, que determinou a vitória do adversário. Mas não jogou bem. No clássico, o time fez um grande primeiro tempo, com boas jogadas e chances claras de marcar antes do Avaí. Mas teve um segundo tempo ruim, em que foi dominado pelo adversário e não teve resposta pra isso. O Figueirense reclama do gol do Leão em que Rodrigão realmente estava em posição de impedimento. Na terceira derrota, o Figueirense foi muito dominado pelo Fortaleza, que sem muitos destaques individuais mostrou um futebol coletivo e muito agressivo. O Furacão não entendeu o que estava ocorrendo em campo e como ele iria lidar com isso. No jogo a jogo foi isso. Só que as explicações e o diagnóstico têm que ser sempre muito mais profundos que o pontual do jogo a jogo. Afinal, em nove pontos, o Figueirense não fez nenhum.

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Milton precisa reagir

Mais uma vez, na entrevista pós-jogo, o técnico Milton Cruz minimizou a derrota. Se agarrou nas estatísticas para explicar que as coisas não deram certo diante do Fortaleza. E falou em “falta de sorte”. Segundo o footstats, o Figueira finalizou 19 vezes, contra 20 do Fortaleza. E quem vê estes números pode até pensar que o jogo foi equilibrado. Muito pelo contrário. O Fortaleza envolveu o Figueirense, com muita dinâmica, troca de passes e velocidade – principalmente no primeiro tempo. Começou melhor, levou o gol, continuou melhor e virou a partida em 10 minutos. Era um time encaixado e jogando futebol coletivo, contra um Figueirense de tentativas individuais. Aliás, o Furacão finalizou tanto porque tem ótimos jogadores que, individualmente podem desequilibrar. É o caso de Maikon Leite, que foi o melhor do time na partida. Das duas, uma alternativa tem que ser realidade: ou Milton está protegendo o todo e não expõe as feridas nas coletivas, ou ele não está vendo o que está ocorrendo. Espero que seja a primeira alternativa, mas tenho receio que possa ser a segunda.

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Respostas fora do campo também

Não é tão simples responder, mas alguns fatores externos podem estar interferindo. São os indícios deixados de que a questão financeira não está 100%. A concentração somente no dia do jogo deixou a suspeita, negada pela diretoria. Mas depois da derrota para o Fortaleza, Jorge Henrique largou a seguinte frase na saída de campo: “as coisas fora não estão ajudando”. Mais do que isso, o técnico Milton Cruz foi questionado na coletiva sobre os atrasos e não desmentiu. Cruz explicou que estão tentando contornar e administrar a situação. Portanto, os indícios estão colocados, por mais que a diretoria negue. O presidente Claudio Vernalha garantiu que o que é relativo a 2018 está em dia e admitiu que há pendências relativas ao final de 2017. Não há porque não acreditar na palavra do presidente, mas qualquer pendência pode atrapalhar diretamente a caminhada. Atraso de salários pode não produzir diretamente uma derrota, mas não ajuda num momento ruim do time dentro de campo. Pelo contrário, quando há uma instabilidade dentro de campo, que combina com atrasos e pendências financeiras, a coisa toda se transforma numa bola de neve.