Além de ser bom montador de time, o técnico Milton Cruz, do Figueirense, é um ótimo administrador de grupo. Foi o que ele fez na quarta-feira. Ao escalar um time completamente diferente, Cruz trouxe pro lado dele os jogadores que ganharam uma oportunidade. Correu riscos em campo, pois futebol é sequência e coletivo, mas era um risco menor.
Certamente, internamente, a comissão técnica analisou a força, ou a falta de força, do adversário para correr este risco calculado. O placar foi apertado, mas o Figueirense quase não foi ameaçado. E Milton Cruz ganhou a confiança de boa parte do grupo de jogadores. Assim ele vai construindo uma unidade interna que pode ser importante mais adiante na temporada.
Um novo meio de campo
Com a possibilidade da estreia de André Moritz, agora liberado para jogar, e a volta de Marquinhos ao time, o Avaí vai ter contra o Figueirense um meio de campo com boa construção de jogadas. Foi o grande defeito do time em Tubarão. Contra o Hercílio Luz, o Leão tinha defesa e tinha ataque, mas não teve meio. Na verdade, quem mais tentou organizar e criar jogadas foi o atacante Rafinha, que vinha da esquerda para o meio com a bola dominada e tentava fazer o que os jogadores do setor não conseguiam.
O que pesa contra a entrada de Moritz e Marquinhos e a perda do poder de marcação. Judson pode ficar sobrecarregado na proteção à defesa e na cobertura dos laterais. Os atacantes de lado, Rafinha e Maurinho, vão ter que ajudar muito na recomposição também. Esse deve ser um dos dilemas na cabeça do técnico Claudinei Oliveira. Prioriza a criação ou a marcação? Corre mais riscos ou vai mais seguro? Pela necessidade de subir na tabela, talvez solte mais a equipe.
Bráulio confirmado
Conforme fui adiantando durante a semana, a comissão de arbitragem iria colocar Bráulio Machado na escala para o clássico. Como os clubes não colocaram nenhuma objeção, o nome dele foi confirmado na audiência pública de ontem. É uma segurança. Primeiro pela qualidade da arbitragem. Bráulio vem construindo isso nos últimos anos. Tem sido referência em Santa Catarina e também na arbitragem nacional. Segundo porque a comissão divide a responsabilidade com os dois clubes.
Na medida em que Avaí e Figueirense foram consultados e concordaram, eles passam a ser responsáveis também, não tendo muita margem para reclamações posteriores. É claro que alguma reclamação pode surgir, mas certamente por algum erro ou polêmica maior. Bráulio não está isento de erros. Todo árbitro erra. Mas a margem dele é bem pequena. O clássico está em ótimas mãos.