A rotina do presidente do Figueirense, Claudio Vernalha, tem sido de viagens e reuniões constantes que vão muito além do que se refere aos jogos que o time na disputa, da Série B, que está em curso. A missão nestas viagens e encontros é a mesma desde que assumiu o clube definitivamente, no início do ano: resolver os problemas financeiros que o Figueirense tem.
Na última terça-feira, dia do jogo contra o Londrina, pela nona rodada da competição, estive no Orlando Scarpelli, para a cobertura pela CBN Diário. E ouvi de algumas pessoas dentro do clube, que existe um temor atual entre os funcionários de que as dificuldades de trazer recursos, pagar salários, e novas ações trabalhistas possam estar tirando as resistências do atual presidente, na batalha pra colocar a casa em ordem e que o medo maior é que ele “largue o barco”.
Nesta quinta-feira, Vernalha me atendeu. Trago aqui o que o presidente do Figueirense me disse sobre muitos problemas. Foi uma conversa no mesmo tom das entrevistas que têm dado aos repórteres setoristas antes dos jogos. A intenção dele sempre parece ser de esclarecer tudo e ser o mais transparente possível.
Contou detalhes da batalha para trazer recursos para o clube. O dinheiro de investidores vem de fora do país, por isso é preciso vencer as barreiras que a burocracia e as fiscalizações naturais impõem.
– Querem saber de onde vem e, por onde vai entrar, passar, e principalmente, como vai ser utilizado este dinheiro. E cada viagem a São Paulo é uma etapa vencida neste processo todo.
Vernalha esteve em São Paulo no início da semana e deveria voltar agora no final desta mesma semana. É o tal do compliance, que é adotado por bancos, empresas e instituições – um conjunto de disciplinas para fazer cumprir as normas legais e regulamentares.
Revelou ainda que realmente algumas ações têm aparecido na Justiça do Trabalho, mas que está tentando negociar tudo. As que ainda não são ações trabalhistas, mas chegam como reclamações de ex-funcionários, tenta negociar antes de virar uma ação trabalhista real. E as que viram, também têm sido negociadas também, só que na Justiça.
Sobre os atrasos com os funcionários, jogadores e comissão técnica, Vernalha disse que a política é manter todo mundo informado de tudo que está ocorrendo.
– Na segunda-feira tivemos mais uma reunião com os atletas e comissão técnica. Eles sabem de tudo. Até de onde o dinheiro está vindo e quais as dificuldades.
Por fim, garantiu que não há nenhuma possibilidade de largar o projeto no meio. Aliás, foi enfático: “Isso não existe! De onde saiu essa história? Isso é loucura! Isso não vai acontecer!”
Vernalha revelou que realmente tem sido desgastante, mas que sabia das dificuldades que teria em todo o processo.