Seguradoras dão descontos de acordo com o comportamento do motorista

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Em 2017, o setor de seguros (vida, automóveis e residenciais) faturou R$ 190 bilhões no País, aumento de 3% sobre o desempenho de 2016 e representa 3,7% do total da riqueza criada no Pais, o PIB. Somente os negócios com o segmento de automóveis faturou R$ 33 bilhões. De uma frota total estimada em aproximadamente 60 milhões de unidades, há 17 milhões seguradas, mantendo-se num patamar estável nos últimos anos. Neste caso, o não crescimento é explicado pela queda de vendas detectada nos anos recentes em função da crise econômica. 

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O momento é de transformação e absorção de tecnologias que estão mudando a relação entre seguradoras, corretoras e clientes finais. Em Joinville, há pouco mais de cem corretores de seguros. 

O empresário joinvilense Jalmei Duarte (foto), da Santa Fé Seguros, explica o cenário.

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O setor de seguros, como tantos outros, está passando por mudanças significativas. Como enxerga o momento?
Jalmei Duarte –
A exemplo de setores como de agentes de viagens e de hotelaria, a área de seguros também está em transição. Os intermediários estão ficando pelo caminho. Então, é fundamental compreender a nova realidade e agir de acordo. A tecnologia tanto pode ser ameaça como oportunidade. Será um ou outro dependendo de como se dá o relacionamento com os clientes. Explico: os seguros pessoais podem ser feitos via aplicativos, e isso exige nova postura dos corretores. 

O que vai mudar com adoção de novas tecnologias?
Jalmei –
Participei de dois congressos do setor – em abril e em agosto. Já há tecnologias que precificam o valor do seguro de um carro de acordo com o comportamento do usuário. E não só pelo perfil, o modelo tradicional de avaliação. A adoção dos critérios de perfil, com dados como CPF, idade, CEP e endereço do cliente, se tem filhos jovens que dirigem, se a residência tem ou não garagem, por exemplo, já não é usada como elemento único para determinação do valor do seguro anual.

Como passa a ser feito agora?
Jalmei –
Estes indicadores continuam sendo considerados, mas, agora, as grandes seguradoras avaliam a “persona”, o comportamento. Um bom exemplo é o caso de dois irmãos gêmeos que moram no mesmo lugar. Um é cuidadoso, sai de carro atentamente, respeita os sinais de trânsito, dirige devagar, chega em casa até as dez da noite. O outro é descontrolado, vai a baladas, bebe álcool, anda em alta velocidade. Há aplicativos que medem como cada um deles dirige e se comporta. E a nota varia conforme os dados vão surgindo. 

Qual é a vantagem para quem é regrado e cuidadoso?
Jalmei –
Algumas seguradoras – a Porto Seguro e o Bradesco, por exemplo – têm aplicativos que anotam como cada motorista age no seu cotidiano e diferencia um motorista do outro. A Porto Seguro dá 3% de desconto pelo simples fato de você ter baixado e usar o aplicativo deles. Motoristas de 18 a 24 anos que usam o aplicativo podem conseguir desconto de até 35% do valor do seguro. 

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Como isso funciona?
Jalmei –
Estabelece-se um ranking, com pontuação, estimula-se a gamificação entre os usuários e, aí, a pontuação é dada via telemetria. Tudo acontece por celular. O aplicativo da Porto Seguro se chama Trânsito + Gentil. Ele permite saber a quilometragem diária, o modo de aceleração do carro, a frenagem, como o motorista anda nas curvas, se usa ou não celular enquanto dirige. Mede cada viagem e pontua, por trecho, de zero a 100, conforme as informações surgem. 

É um controle absoluto, um Big Brother.
Jalmei –
É, sim. A seguradora vai formando um banco de dados completo sobre o usuário/motorista. E o algoritmo calcula o valor do seguro. As seguradoras estão incentivando os motoristas a usarem os aplicativos. O aplicativo rastreia os carros e monitora todo o jeito de ser do motorista. O Bradesco (Dirija Bem), a Sul América (Auto Você) e a Liberty (Direção em Conta) também têm aplicativos desse tipo. 

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O que mais vem por aí?
Jalmei –
Vamos, na área de seguros, evoluir para a integração com a internet das coisas, a IoT, de modo a se poder avaliar a forma de como cada pessoa cuida da saúde: o número de passos que dá diariamente, se faz caminhada frequentemente ou não. Essa tecnologia já existe nos Estados Unidos. 

Que influência isso tudo tem sobre os negócios?
Jalmei –
No nosso negócio, a novidade ajuda. Porque nos libera de atividades burocráticas e facilita a busca e o trabalho de prospecção de mais clientes. O nosso mercado de corretor de seguros passará por uma concentração.