Coronavírus: o anarquista das letras ajuda a alimentar o espírito em SC

Compartilhe:

Foto: Arquivo Pessoal

Abro o Facebook e deparo-me com essa foto no perfil do editor Nelson Rolin de Moura. A legenda limpa, breve, incisiva e sem rodeios, reproduz claramente as ações dele.

Continua após a publicidade

Leio emocionado:

“Com muita alegria doamos 360 livros da Editora Insular para a Irmandade de Nossa Senhora da Conceição distribuir com cestas básicas às famílias dos Morros do Horácio, Santa Vitória e do 25.”

Continua após a publicidade

Ora bolas, em meio à pandemia de um vírus ainda desconhecido, aumento acelerado de desemprego, nos deparamos com a possibilidade de receber em casa uma cesta básica não importa por quem… pergunto: "Quem iria doar livros para comunidades carentes, muitas das quais sequer têm água tratada e sabão para lavar as mãos, ato mais simples e protetor nos dias atuais?".

> Em site especial, saiba mais sobre a pandemia do coronavírus

A resposta surge bem refletida: somente um ser humano diferenciado, com uma visão de mundo que foi esculpida pela vivência sofrida de um anarquista histórico, inconformado com a desigualdade social e que lutou a vida toda com as armas que tem para melhorar as condições dos compatriotas. E as armas deste guerreiro, nas últimas décadas, são os livros.

Livros que ele edita e distribui com a energia de uma criança, superando todas as dificuldades e estatísticas negativas de um país em que poucos escrevem e menos ainda leem. Mas talvez sejam eles, os livros, os instrumentos mais potentes para mudar o mundo. Ou melhor, para mudar pessoas. Pessoas mudam o mundo. Por isso, a foto do Nelson chama minha atenção.

Continua após a publicidade

Confesso que me emociono imaginando aquelas caixas chegando ao Morro do Horácio, Santa Vitória, 25. Os voluntários da Irmandade distribuindo as cestas básicas com os livros (alimentos para o espírito), pacotes que carregam outros tipos de alimentos para o corpo sendo recebidos nas pequenas e acanhadas casas de quem luta diariamente para sobreviver.

É possível que muitos nem consigam compreender o que é "aquilo de papel" que veio junto da comida. O analfabetismo ainda é um vírus altamente perigoso que assola nosso país e contamina nosso povo. Mas, se alguns jovens, quem sabe estimulados pelos mais idosos experientes ou pelas valorosas mães, pelas famílias, vibrarem com o que estão recebendo, com certeza, a iniciativa do "anarquista das letras" já será vitoriosa.

Continua após a publicidade

Aquele que ama tanto os livros e esta ilha abençoada que recebeu o Nelson Rolin na mesma época em que eu chegava em Santa Catarina, vindo do interior paulista, e que serviu de inspiração dando nome a sua editora: Insular.

Para as crianças, tomo emprestada a frase de Rubem Alves:

Continua após a publicidade
Um livro é um brinquedo feito com letras. Ler é brincar".

Para todos os demais, Padre Vieira:

O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive".

Para Nelson Rolin de Moura, meu carinho, minha gratidão e meu respeito.

Clique e veja dados no Painel do Coronavirus