Tirem os jovens e as crianças da sala. Ou desliguem a televisão. Que ninguém fique sintonizado na sessão do Senado Federal, convocada para eleição do novo presidente e da Mesa Diretora.
Não há precedentes na historia politica brasileira de tanta bagunça, confusão, desorganização e falta de compostura. O Senado está transformado num deprimente espetáculo circense.
São 81 senadores. O voto para a eleição do presidente do Senado é secreto, pelo que decidiu o presidente do Supremo, Dias Tófoli. As cédulas impressas são assinadas pelo presidente da Mesa, senador José Maranhão, do MDB, e tendo como secretário o senador Fernando Bezerra, também do MDB.
Os dois tinham o dever de assinar 81 cédulas, procedimento que se adota como rotina em qualquer entidade, empresa ou grêmio estudantil de primeiro grau.
Pois na apuração apareceram 80 envelopes e mais duas cédulas separadas, desenvelopadas. Mais um escândalo.
Depois de muita gritaria, discussões estéreis e até ameaças, o presidente determinou nova votação. O catarinense Esperidião Amin, que fez a primeira intervenção, tinha solução mais racional e menos indecente: anula as duas cédulas e apura os 80 votos.
– Este Senado é uma esculhambação – proclamou o senador Jader Barbalho, retirando-se do Senado, inconformado com a baderna que vem predominando este início de legislatura.
O Senado envergonha a Nação – repetiram vários senadores. O senado está desmoralizado, bradaram em aparte.
Álvaro Dias, candidato a presidente que renunciou depois de brilhante discurso da tribuna, afirmou que “o Senado está no chão”.
No chão, não! Este Senado há muito está no fundo do poço.
É muita imoralidade, conchavos, negociatas, barganhas e corrupção para uma das principais instituições da República.