Como o vinho se tornou objeto de desejo no Brasil

Vinho deixou para trás papel de acompanhamento de refeições, conversas ou celebrações para ocupar espaço do desejo

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Como o vinho se tornou objeto de desejo no Brasil

(Foto: Gerada por IA)

O vinho deixou de ser apenas uma bebida para acompanhar uma refeição, um bate-papo ou uma celebração e passou a ocupar um território muito mais interessante: o do desejo na vida das pessoas.

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E o mais interessante é que esse desejo não nasceu simplesmente da busca por mais sofisticação, mas foi sendo construído no Brasil ao longo de muitos anos por uma combinação muito mais inclusiva, como cultura, experiência, conhecimento e, principalmente, pela descoberta de que o vinho também pode ser uma forma de contar quem somos e como queremos viver a vida.

Durante muito tempo, o vinho no Brasil esteve associado a ocasiões específicas, como jantares especiais, restaurantes e comemorações. Era quase um convidado de cerimônia.

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Hoje, o vinho ganhou outro lugar à mesa e, sobretudo, na vida das pessoas.

Com a abertura das importações no Brasil, na era contemporânea, em 1990, veio o acesso a rótulos importados de vinhos finos (produzidos com uvas vitiviníferas) de diversas partes do mundo, que chegaram ao mercado brasileiro, principalmente dos países europeus, vistos como superiores e refinados.

Antes da abertura das importações, o consumidor tinha acesso restrito a rótulos estrangeiros. O mercado era dominado por vinhos brasileiros de mesa, doces e suaves, produzidos com uvas americanas ou híbridas, que produzem vinhos com estilo e características bem diferentes dos produzidos com uvas Vitis vinifera, além de vinhos brancos adocicados no estilo alemão.

As importações permitiram que o brasileiro comum tivesse acesso a vinhos com perfis mais complexos, equilibrados, mais secos e ácidos, elegantes e agradáveis ao paladar, conquistando o consumidor.

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Os rótulos estrangeiros começaram a circular com força, mudando o paladar, criando comparação e plantando esse desejo por sofisticação e descoberta.

Hoje, o vinho é quase uma linguagem social. Ele está nos jantares, nos clubes de assinatura, nas feiras, nos eventos enogastronômicos, nas confrarias, nos cursos de vinhos e nas visitas às vinícolas.

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Isso revela que o brasileiro não quer mais apenas beber vinho, mas encontrar pessoas, degustar rótulos, conversar com quem produz, ouvir histórias, comparar safras, degustar vinhos de castas diferentes e levar para casa uma garrafa juntamente com sua história.

O vinho deixou de ser uma coisa distante, escolhida atrás de uma prateleira, e passou a ter o rosto de quem cultiva, do enólogo que contou sobre sua produção ou do sommelier que o apresentou em uma ocasião especial, onde experimentou, perguntou, trocou impressões, enfim, se conectou com a experiência.

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Aliás, talvez seja justamente esta a nossa maneira brasileira de construir a cultura do vinho: trazendo-o para perto, tirando a solenidade, colocando alguma comida na mesa e chamando mais pessoas para participar.

Mesmo como sommelière, tenho cada vez menos interesse em saber se uma pessoa “entende” de vinho, mas sim se aquele vinho a emocionou, se lembrou de algum momento especial, se comprou algum por causa da história do produtor, se lembra do vinho que mais a impressionou na última viagem que fez.

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Porque, no fim, é isso que faz uma bebida atravessar a fronteira entre o produto e o desejo.

Para mim, o verdadeiro luxo não é o preço da garrafa, mas ter ao meu lado pessoas com quem valha a pena dividir a primeira taça. Este é o legítimo prazer.

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O que gosto muito, especialmente nas feiras, é que o vinho funciona como uma espécie de senha para que pessoas, mesmo desconhecidas, se aproximem.

No primeiro momento, sempre se quer demonstrar que conhece de vinhos, mas, em seguida, a conversa costuma mudar de rumo. Fala-se dos vinhos, claro, mas também se fala das viagens, restaurantes, lembranças, negócios, filhos e, quando percebemos, estamos falando da vida.

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Talvez por isso também esses encontros de vinhos estejam crescendo. Eles nos oferecem coisas que o mundo contemporâneo anda nos roubando: tempo para sentar à mesa e prestar atenção uns nos outros.

Em Florianópolis, estamos vivendo este movimento fortemente, com muitos eventos acontecendo.

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No dia 25 de setembro, vamos receber o nosso já conhecido e valorizado Decanter Wine Day, um evento que reúne mais de uma centena de rótulos de diferentes partes do mundo, produtores e gastronomia.

Para mim, há algo especialmente simbólico neste evento acontecer aqui. A Decanter não é uma empresa que simplesmente chegou a Santa Catarina. Ela nasceu aqui.

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Foi em Blumenau, em 1997, que Adolar Hermann e seu filho, Edson Hermann, transformaram uma paixão familiar pelo vinho em uma das importadoras que ajudaram muito a ampliar o repertório do consumidor brasileiro.

Hoje, a empresa trabalha com mais de 100 produtores de 15 países e mantém uma rede de mais de 30 Enotecas pelo país.

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Nos orgulhamos de que uma empresa catarinense tenha colocado tantos países e suas regiões dentro das taças brasileiras, aproximando consumidores, produtores e regiões que talvez permanecessem distantes sem esse trabalho de curadoria.

No dia 25 de setembro, na próxima sexta-feira, esse movimento ganha mais uma vez forma concreta, com mais de 100 rótulos de produtores da Argentina, Chile, Portugal e França, com música e gastronomia, propiciando uma ocasião que reúne, desperta trocas e experiências e que nos transforma de meros consumidores em construtores de uma cultura em torno do vinho.

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Aliás, talvez seja por isso que o vinho cresce tanto no Brasil: porque aqui ele encontrou o lugar onde mais gosta de estar, no meio das pessoas.

Decanter Wine Day – Vinhos, gastronomia e música

Data: 25 de setembro de 2026
Horário: das 17h às 21h
Local: Castelmar Hotel – Florianópolis (SC)
Ingressos: R$ 260 – disponíveis em Blueticket
Reservas: (48) 99962-0898

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Saúde!

Néa Silveira
@neasommeliere