Se você é entusiasta do mundo dos vinhos, certamente já ouviu falar em vinho laranja ou âmbar, que leva este nome fazendo menção somente à cor laranja, mas não aos aromas e sabores da fruta. Antes restrita a círculos de enófilos, a oferta desses rótulos tem crescido em cartas de restaurantes, adegas e portfólios de produtores e importadoras. Este estilo de vinho está conquistando cada vez mais os paladares ao redor do mundo. Combinando características dos brancos e tintos, surpreende até os mais experientes amantes de vinhos, desafiando seu paladar.
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Apesar de já serem conhecidos, muita gente ainda tem dúvidas e, muitas vezes, não se arrisca a pedi-los.
De forma muito simplificada, “vinho laranja ou âmbar são vinhos produzidos de uvas brancas maceradas com as cascas”. A principal diferença está no tempo que o mosto (o suco das uvas) fica em contato com as cascas durante o processo de maceração. Vale lembrar que a cor e os taninos dos vinhos vêm da casca, e não do mosto ou suco. Enquanto os vinhos brancos são produzidos sem nenhum contato com as cascas, os vinhos laranjas permanecem em contato com elas por um período que pode variar, segundo o resultado desejado pelo enólogo. Esse contato resulta em uma coloração única, que varia de tons dourados a laranja profundo. Além da linda coloração, esse período estendido de contato com as cascas proporciona ao vinho uma gama mais ampla de aromas e sabores, mais corpo e notas mais complexas.
O período de maceração, que é quando as cascas ficam em contato com o mosto ou o suco das uvas, pode ocorrer em recipientes de aço inoxidável, cerâmica, concreto ou em barris de madeira, conferindo ao vinho laranja uma complexidade adicional.
O perfil único do vinho âmbar é o que o diferencia dos outros estilos. Ele combina elementos de brancos e tintos, apresentando a acidez vibrante característica dos brancos, equilibrada por taninos sutis e uma estrutura mais robusta, que lembra os tintos. Já os aromas podem variar de frutas cítricas a notas mais terrosas, proporcionando uma experiência sensorial única. Certos rótulos podem trazer notas oxidativas, aromas menos familiares, adstringência mais marcada e algum amargor.
Produzem-se vinhos âmbar com todas as uvas brancas, que também podem ser misturadas. A cor do vinho vai depender de diversos fatores: qual casta foi utilizada, o tempo que as cascas ficaram em contato com o mosto, a quantidade de cascas usadas no período de maceração e outras escolhas enológicas. Há brancos de maceração tão clarinhos quanto os brancos tradicionais, mas a maioria possui aspecto alaranjado, alguns lindamente dourados, outros mais âmbar, outros mais acobreados, e até mesmo alguns com tons rosáceos.
A versatilidade do vinho âmbar para harmonização é notável. Sua estrutura e complexidade o tornam um parceiro ideal para uma grande variedade de pratos. Ele é excelente com queijos envelhecidos, pratos à base de frutos do mar, carnes grelhadas, massas com trufas e até pratos vegetarianos mais substanciosos. A combinação de acidez e taninos permite que ele complemente e realce os sabores, valorizando uma gama enorme de possibilidades gastronômicas.
A História
Vinhos brancos macerados com as cascas não são uma novidade. Pelo contrário, eles são feitos há pelo menos 8 mil anos, de acordo com achados arqueológicos na Geórgia. Até a primeira metade do século XX, ainda eram produzidos dessa forma na Europa, antes do estilo “branco total” se impor como padrão de beleza e requinte. No final do século passado, viticultores da Geórgia, Eslovênia e Itália resgataram essa tradição perdida de macerar uvas brancas com as cascas e inspiraram produtores no mundo inteiro. A moda pegou, e hoje se produzem vinhos laranjas em todo o mundo, inclusive no Brasil, onde temos ótimos representantes desse estilo.
Se você ainda não degustou um exemplar de vinho âmbar, te convido a fazê-lo e ampliar sua experiência neste mundo tão diverso e fascinante que é o dos vinhos.
Santé!!!
Néa Silveira
@neasommeliere














