O próximo desafio do vinho brasileiro está na experiência

Iniciativa surge em meio ao crescimento do turismo do vinho no país e aposta na qualificação profissional para acompanhar as novas exigências dos visitantes

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(Foto: Banco de imagens)

O enoturismo brasileiro está deixando de ser um passeio complementar para se tornar o motivo da viagem. O vinho, que durante muito tempo foi motivo e destino final das visitas às vinícolas, está se transformando em fio condutor de uma experiência bem mais ampla, que envolve território, gastronomia, paisagem, cultura e hospitalidade.

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O perfil do viajante que chega às regiões produtoras também mudou. Ele não quer apenas conhecer uma adega e degustar seus vinhos, mas ouvir sobre o processo de elaboração, provar alguns rótulos, conhecer e conversar com quem produz, viver a história da vinícola, comer bem, com harmonizações bem feitas, e, sobretudo, vivenciar ali, naquele lugar, algo que não poderia ser reproduzido em nenhum outro destino. E esta tendência representa um mercado em formação e em velocidade considerável.

Quando a demanda cresce, sobem também as exigências dos visitantes, que começam a comparar experiências e exigem mais qualidade, mais profissionalismo nos serviços oferecidos, mais conforto e autenticidade. E é justamente aqui que surge a pergunta que o vinho brasileiro precisa encarar: estamos preparados para receber turistas cada vez mais exigentes? Aquele turista que quer viajar para conhecer uma região através do vinho.

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Os números já mostram que a demanda está acelerando. No Rio Grande do Sul, principal polo turístico do país, as experiências comercializadas cresceram 57,8% em 2025, chegando a cerca de 71 mil atividades. Ao mesmo tempo, o mapa dos vinhos no Brasil está se ampliando. A Serra da Mantiqueira já reúne cerca de 100 projetos de vinícolas e mais de R$ 1 bilhão em investimentos, enquanto outras regiões também começam a entrar neste circuito do enoturismo.

Com este aumento da demanda, os gargalos já existentes, como acesso às regiões produtoras, estradas, transporte, sinalização, hospedagem, capacitação profissional, atendimento em outros idiomas e integração entre vinícolas, restaurantes e hotéis, estão se aprofundando. O crescimento esbarra na qualificação, demonstrando a urgência de agir com ações práticas que minimizem essas dificuldades no setor de enoturismo.

Profissionais da área, atentos a esses gargalos, criaram, em maio deste ano, a Escola de Enoturismo, que atua sobre três pilares: Território e Origem, Comunicação e Experiência, e Negócio. A escola nasceu justamente para aproximar a qualificação profissional das necessidades reais de trabalho.

A iniciativa é conduzida pela mestre em Turismo Ivane Remus Fávero, pela jornalista Lucinara Masiero e pelo especialista em Enoturismo Artur Tremper Farias. Os três profissionais fundadores possuem trajetórias complementares no turismo, comunicação, experiência, território e gestão.

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A primeira amostragem realizada pela escola, apresentada no dia 13 de agosto de 2026, no 1º Fórum de Enoturismo das Américas, realizado em São Paulo, Brasil, reúne dados de 51 vinícolas de seis estados que recebem mais de 1,2 milhão de visitantes por ano e têm, em média, 34,7% do faturamento proveniente da atividade do enoturismo.

Estes dados apresentados no Fórum reforçam a percepção que motivou a criação da nossa Escola, afirma Lucinara Masiero:

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Não falta somente obra, falta principalmente mão de obra especializada para as novas e crescentes demandas do setor. Este cenário ganha relevância à medida que as vinícolas deixam de oferecer apenas visitas e degustações, mas ampliam seus negócios com restaurantes, hospedagens estruturadas e confortáveis, experiências nos vinhedos, eventos e atividades culturais, programação personalizada e diferentes formas de conexão com os territórios vitivinícolas.

A primeira turma presencial do Nível 1 acaba de concluir sua formação. No dia 17 de agosto, a Escola deu início à primeira turma online, o que amplia o acesso à qualificação para profissionais de diferentes regiões brasileiras. Para os fundadores, os números levantados até agora confirmam que a formação profissional precisa avançar na mesma velocidade do mercado.

O vinho do Brasil já entendeu que pode ser destino de enoturismo para o mundo inteiro, mas destino não se improvisa. O crescimento vai colocar as nossas vinícolas diante de uma escolha: continuar recebendo visitantes ou começar, de fato, a construir territórios desejáveis, porque, quando a demanda cresce — e isto já está acontecendo —, não será mais suficiente abrir a porta, servir uma taça e contar uma história.

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O visitante virá com repertório, expectativa e comparação. E aí estará a verdadeira prova de maturidade do nosso vinho: não é quantas pessoas iremos atrair, mas quantas conseguiremos surpreender e encantar além da taça!

Saúde!

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Néa Silveira
@neasommeliere