Há países que constroem sua identidade vitivinícola durante séculos. O Uruguai parece ter feito isso de maneira mais íntima: uma pequena nação, uma grande personalidade e uma uva francesa que acabou se tornando seu sobrenome, a Tannat.
As mudas chegaram ao Uruguai na segunda metade do século XIX, pelas mãos dos imigrantes europeus que carregavam consigo mais do que mudas de videiras; traziam memória, conhecimento e o desejo de reconstruir, em outra terra, aquilo que haviam deixado para trás.
A chegada da Tannat ao Uruguai
Por volta de 1870, dois nomes começaram a escrever essa história: o catalão Francisco Vidiella, nos arredores de Montevidéu, e o basco-francês Pascual Harriague, em Salto.
Harriague, porém, encontraria uma personagem que mudaria para sempre o destino do vinho uruguaio: a tannat.
Originária do sudoeste da França, da região de Madiran, a variedade chegou ao Uruguai no século XIX e encontrou em Salto condições para prosperar. Harriague percebeu seu potencial, plantou-a em escala comercial e, em 1887, apresentou seu vinho ao mundo.
Pouco depois vieram as medalhas nas exposições de Barcelona e Paris. O que era uma experiência de um imigrante transformava-se em identidade nacional.
E há uma ironia deliciosa nessa história: a Tannat que hoje representa o Uruguai nasceu francesa. Foi justamente no pequeno território uruguaio que ela encontrou uma nova expressão.
Solo, clima, influência atlântica e viticultura fizeram daquela variedade de taninos vigorosos um vinho diferente de sua matriz europeia.
A transformação do vinho uruguaio
Durante boa parte do século XX, entretanto, o vinho uruguaio permaneceu muito mais conhecido dentro de suas próprias fronteiras do que no mundo. O consumo doméstico era forte, enquanto a projeção internacional ainda era tímida.
A virada começou quando produtores passaram a compreender que o futuro não estava em simplesmente produzir mais vinho, mas em produzir um vinho que tivesse algo a dizer.
A Tannat tornou-se então uma espécie de bandeira líquida do país. E o Uruguai percebeu algo fundamental: identidade também é estratégia.
Nas últimas décadas, a vitivinicultura uruguaia investiu em tecnologia, qualidade, pesquisa e novos estilos. A Tannat deixou de ser apenas aquele tinto potente, austero e tânico que exigia tempo e comida.
Hoje aparece mais fresca, elegante, menos extraída, em blends e diferentes interpretações.
Além da Tannat: a diversidade uruguaia
Mas o Uruguai também descobriu que sua história não terminava no Tannat que continua sendo sua grande assinatura, mas já divide o palco com a Albariño, por exemplo, vem ganhando espaço e reconhecimento, enquanto a Sauvignon Blanc, Cabernet Sauvignon, Merlot, vinhos rosados, espumantes e até vinhos de maceração revelam uma vitivinicultura muito mais diversa do que o velho rótulo de “país do Tannat” poderia sugerir, expressando novos estilos com a nova geração de produtores, que veem em seus diferentes terroirs uma viticultura mais contemporânea, mas sem apagar o que o tornou o país reconhecido.
Em 2026, inclusive, o próprio INAVI (Instituto Nacional de Vitivinicultura) que é responsável por regular e promover o setor de vinhos no Uruguai, passou a ter uma categoria específica para Albariño em sua seleção institucional, além de incorporar os vinhos laranja — um sinal de que o país está olhando para frente sem abandonar suas raízes.
Identidade que atravessa fronteiras
Hoje, o Uruguai continua pequeno em território e produção quando comparado aos gigantes sul-americanos. Mas talvez esteja justamente aí sua força, pois percebeu que ter identidade vale mais do que ter tamanho geográfico.
Porque conhecer um vinho não é apenas provar o que está dentro da taça. É entender de onde ele veio, quem o fez, que paisagem o moldou e quais histórias existem por trás daquela garrafa.
Depois de atravessar décadas de tradição, reinvenção e busca por identidade, o vinho uruguaio começa também a atravessar fronteiras de uma maneira muito particular: não apenas exportando garrafas, mas levando consigo a experiência, a cultura e o jeito uruguaio de beber vinho.
Uruguay Wine Tours chega ao Brasil
O Uruguay Wine Tours, pioneiro no enoturismo uruguaio desde 2011, chega ao Brasil levando uma experiência que vai muito além de simplesmente provar vinhos.
A proposta é aproximar o público brasileiro das paisagens, dos produtores, dos estilos e da cultura que fazem do vinho uruguaio um dos capítulos mais interessantes da vitivinicultura sul-americana.
A experiência passará por algumas cidades brasileiras. E, em Florianópolis, ganhou um endereço que parece ter sido escolhido pelo próprio vinho.
Teremos o privilégio de receber essa experiência em um endereço que parece ter sido escolhido a dedo para a ocasião: o Los Troncos – Parrilla Uruguaya, na Lagoa da Conceição.
Não por acaso, o único escolhido em Santa Catarina — e, segundo a organização, o único endereço selecionado no Sul do Brasil para receber essa passagem do Uruguay Wine Tours.
Vinho uruguaio e parrilla em Florianópolis
E não é simplesmente levar vinhos uruguaios para um restaurante. É levar o Uruguai para dentro do Uruguai.
Serão servidos 10 rótulos de vinhos das Vinícolas: Bodega Pisano, Viña Progresso, Antigua Bodega, Pablo Fallabrino e Bodega Garzón.
Porque no Los Troncos a parrilla não é cenário. É identidade.
A casa nasceu com a proposta de trazer para Florianópolis a cultura uruguaia da carne, do fogo e da mesa — aquela mesa sem pressa, onde a conversa acompanha o tempo da brasa e o vinho não precisa disputar espaço com nada, mas marcar presença pelo prazer.
Até porque vinho uruguaio e parrilla uruguaia juntos não precisam de muita explicação. É quase uma conversa que já começa antes mesmo de a primeira garrafa ser aberta.
A proposta é justamente essa; sair do vinho como objeto e entrar no vinho como território.
Descobrir rótulos, histórias, estilos e personagens de uma vitivinicultura que tem no Tannat sua grande assinatura, mas que há muito tempo deixou de ser apenas “o país do Tannat”, mas um Uruguai contemporâneo tem muito mais para contar.
Serão servidos 10 rótulos de vinhos das Vinícolas: Bodega Pisano, Viña Progresso, Antigua Bodega, Pablo Fallabrino e Bodega Garzón.
SUNSET URUGUAYO — Fuego, Vinhos & Parrilla à Beira da Lagoa da Conceição
- Data: 3 de outubro de 2026
- Horário: 15h às 21h
- Local: Los troncos Parrilla Uruguaya – Unidade Lagoa da Conceição
- Cidade: Florianópolis SC
- Ingressos: R$ 390 por pessoa – disponível na @pensanoevento

Saúde!
Néa Silveira
@neasommeliere







