Paralisação como a que vemos nesta semana em todo o país — e de modo especialmente organizada e eficiente aqui em Santa Catarina — vinha sendo desenhada há anos. Enfim chegou a hora dos caminhoneiros do Brasil criarem uma reação em cadeia que coloca toda a sociedade à beira de um colapso. Falta combustível, alimentos e produtos de necessidade básica. Diminui a oferta de transporte público, a matéria-prima não chega à fábrica e nem o estoque consegue ser distribuído aos clientes. Escolas e universidades começam a suspender as atividades acadêmicas, obras públicas e privadas são impactadas negativamente e até mesmo o jornal, fiel companheiro de todo o dia, custa a chegar às casas dos assinantes que precisam estar bem informados sobre tudo o que acontece no país e na nossa região.
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Ainda assim, o apoio da comunidade é incontestável. Mesmo passando por todos essas dificuldades, há um entendimento geral de que a causa deles é de todos. Lembra um pouco os grandes protestos de 2013 que começaram pelos 20 centavos da passagem de ônibus e tomaram corpo e abrangência bem maiores. É uma paralisação contra o aumento do preços dos combustíveis, mas, bem mais do que isso, é também uma paralisação decorrente do descontentamento geral da população com um governo que não se mostra suficientemente competente e com a classe política infiltrada de gente cujos compromissos pessoais estão acima dos coletivos.
Muito desse apoio tem relação com a relativa ausência dos partidos na manifestação. Há sim, gente que se aproveita da situação para empunhar bandeiras ideológicas, mas a sensação que chega à comunidade é de que se trata de uma manifestação do cidadão.. Enquanto assim se mostrar e for, a paralisação terá o apoio devido em busca de frutos que tirem este país da crônica letargia política, econômica e social.