A pior eleição da história do Brasil não termina neste domingo

Seja qual for o resultado das urnas, o Brasil continuará dividido

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Clima de vale-tudo de uma eleição eterna é dispensável (Foto: Arquivo NSC Total)

Marcada por mentiras, ataques, escândalos morais e poucas propostas, a pior eleição para presidente da história da ainda jovem democracia brasileira vai se prolongar. Não é um pessimismo exagerado, mas uma pedra cantada. Seja qual for o resultado das urnas no domingo, o país continuará dividido. Isso em nada ajuda a resolver os verdadeiros problemas da vida real – aumento de preços, sensação de insegurança, desastres naturais, quebradeira de empresas, infraestrutura deficitária.

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Se conseguir a reeleição, Lula (PT) deve enfrentar dificuldades em meio à configuração do Congresso Nacional desenhada no primeiro turno. Precisará seguir à risca o conhecido script da governabilidade tupiniquim: negociar cargos, abrir mão de promessas de campanha e abraçar o centrão para tentar conter a sanha de uma oposição fortalecida e inconformada com a derrota. Dilma Rousseff (PT) passou por isso após o pleito de 2014 e não terminou o mandato. A capacidade de articulação de Lula será posta à prova mais do que nunca.

Se Flávio Bolsonaro (PL) triunfar, tudo aponta que o Brasil terá um presidente com poderes demais, com ampla maioria em Brasília para mudar até a Constituição, se assim quiser, e que herda do antigo governo do pai ameaças de interferências em instituições de Estado. Como a polarização parece ter matado qualquer chance de um mínimo diálogo entre situação e oposição, este não seria um cenário saudável para a democracia, que precisa de pesos de contraponto.

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Em 2013, as Jornadas de Junho levaram milhões de brasileiros às ruas. Os protestos começaram contra o aumento da tarifa de ônibus, mas depois escalaram para outros temas difusos – corrupção, Copa do Mundo, saúde, educação. Naquela época, cheguei a escrever que via com bons olhos o movimento, não necessariamente pelas reivindicações em si, mas pelo que parecia ser um despertar para uma maior conscientização política da população. É preciso, afinal, falar sobre política – sempre.

O brasileiro, no geral, de fato fala mais sobre o assunto hoje. Mas fala de uma política raivosa, destrutiva, que segrega. O contraditório é sempre mentira ou perseguição, mesmo quando os fatos estão escancarados. As pessoas viram inimigas e deixam de ter virtudes quando não se posicionam do jeito que se cobra delas. Raramente existe disposição para ouvir o outro.

A má política adoeceu a sociedade. Mas muitas vezes é do próprio veneno que se produz o remédio. A política é necessária. O que é dispensável é esse clima de vale-tudo de uma eleição eterna, que se arrasta há mais de uma década e não terminará no domingo.