Campeão catarinense em 1949 e 1964, o Grêmio Esportivo Olímpico, de Blumenau, quer fechar de vez a página do futebol profissional, desativado há mais de 50 anos. A atual gestão, que assumiu há seis meses, está trabalhando para redesenhar a vocação do clube fundado há 107 anos e localizado em uma das áreas mais nobres da cidade.
“O futuro do clube não passa pelo futebol. Ele será voltado à família, mas sem esquecer as origens”, diz o presidente Roberto Mildemberg.
Mildemberg lidera uma nova diretoria que assumiu os trabalhos em abril. De início, a nova gestão fez um diagnóstico da situação financeira, administrativa e patrimonial, promoveu um recadastramento geral dos sócios e investiu em algumas revitalizações nas instalações. Foram feitos reparos na piscina, em áreas de circulação, churrasqueiras, no campo e em quadras de tênis. Canchas de bocha foram desfeitas e serão transformadas em áreas de convivência e um novo parquinho infantil foi instalado. Na próxima semana, uma nova sauna será inaugurada.

As próximas etapas incluem a implantação de novas quadras de tênis, padel e beach tennis em parte do campo do futebol, além de uma piscina térmica e coberta. A história do futebol profissional ficará preservada em um memorial. Também está em curso a elaboração de um masterplan, documento que vai ajudar a nortear o planejamento futuro do Olímpico – um legado para as próximas gestões, segundo Mildemberg. Dois escritórios de arquitetura da cidade já trabalham no material.
Os investimentos estão sendo feitos com caixa próprio, diz o presidente, mas o Olímpico também vem buscando parcerias para ajudar na manutenção e na ampliação do complexo, que soma 17 mil metros quadrados. O clube já abriga uma escolinha de futebol da rede de idiomas KNN, que integra prática esportiva e ensino de inglês para crianças e jovens.
Contrato com gigante de academias
Também já há um contrato encaminhado com a Smart Fit, que vai abrir uma academia no local no início de 2027. Pelo espaço, a rede vai pagar um aluguel de cerca de R$ 63 mil. A quantia, garante Mildemberg, é suficiente para bancar as despesas básicas de manutenção do clube – o ponto de equilíbrio é de R$ 60 mil. Com isso, a maior parte do dinheiro que entrar de mensalidades e venda de títulos deve ser usada na expansão.
Nas próximas semanas, o clube quer acelerar também a prospecção de novos sócios. Atualmente, são apenas 108 detentores do patrimônio – fora os mensalistas –, mas há espaço para chegar a até 500, projeta o presidente.
Assédio de construtoras
O Olímpico está instalado em plena Alameda Rio Branco, uma das regiões mais nobres de Blumenau. O clube é cercado por prédios residenciais de alto padrão, configurando um reduto de metro quadrado altamente valorizado. A poucos metros dali, está em construção o que será o primeiro arranha-céu da cidade, um gigante de 45 pavimentos, 150 metros de altura e apartamentos com até quatro suítes.
A localização e o amplo terreno fizeram com o que clube, ao longo dos anos, tenha sofrido assédio de construtoras e incorporadoras. Mas a atual diretoria mantém-se firme na preservação da proposta.
“Não queremos permuta”, avisa o presidente.
A verticalização acelerada dos arredores é justamente o que pode garantir o futuro do Olímpico. É mais gente que quer desfrutar da estrutura de um clube de lazer perto de casa e sem precisar pegar o carro para sair.
