Há um mês do primeiro turno, a corrida eleitoral entra na reta final com poucas certezas e uma aparente margem para surpresas tanto em Santa Catarina quanto em Brasília. No Estado, ao que parece, a grande dúvida é se haverá segundo turno. Na pesquisa Quaest contratada e divulgada pela NSC em 24 de agosto, o governador Jorginho Mello (PL) somou 50% das intenções de voto. Isso antes da estreia da propaganda em rádio e TV.
Com a campanha avançando, o aumento da exposição aos postulantes à Casa D’Agronômica e o batalhão de candidatos à Assembleia Legislativa e a Câmara Federal pedindo apoio à reeleição do governador, o maior desafio da oposição, leia-se João Rodrigues (PSD) e Gelson Merisio (PSB), será levar a disputa para o segundo round.
A contenda para as duas cadeiras ao Senado, por outro lado, parece bem mais imprevisível – e emocionante. Esperidião Amin (PP), Carlos Bolsonaro (PL) e Carol de Toni (PL) largaram na frente na pesquisa Quaest. Mas não dá para descartar um possível crescimento de Décio Lima (PT) no apagar das luzes. Décio, vale lembrar, contrariou as expectativas ao ir ao segundo turno contra Jorginho quatro anos atrás e tem o apoio da máquina federal do governo Lula (PT). Lunelli (MDB) e Afrânio Boppré (PSOL) correm por fora.
No cenário federal, a repentina ascensão de Augusto Cury (Avante) nas mais recentes pesquisas mexe no tabuleiro político e nos rumos das campanhas. O escritor chegou aos dois dígitos nas intenções de votos, um feito que ninguém até então, além de Lula e Flávio Bolsonaro (PL), havia conseguido. Mesmo que os 10% de Cury indicados nos levantamentos representem um teto, é um desempenho que, por si só, praticamente sepulta a possibilidade de a eleição presidencial ser decidida já em 4 de outubro.
Confirmado um segundo turno entre Lula e Flávio, que ainda é a maior aposta entre os analistas, Cury – que tirou votos dos dois nas pesquisas – carregaria um ativo importante, inclusive com poder de barganha para negociar o apoio a um ou outro. Em uma disputa que se desenha tão apertada, esse espólio interessa mais a Lula porque Flávio tende a naturalmente absorver os votos de Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo).
Há ainda outros agentes políticos que, embora não estejam nas urnas, têm potencial para ser o fiel da balança. Ao vir à tona, as ligações de Daniel Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes, além de contatos com André Mendonça, colocam o questionado STF no centro da campanha eleitoral. Quando o assunto era a defesa de seus interesses, o ex-banqueiro revelou ser adepto do pragmatismo, circulando entre a esquerda e direita. Não será surpresa alguma se novas revelações explosivas de seu envolvimento nos bastidores do poder virem à tona nas próximas quatro semanas.
