Eduardo Soares, presidente da CDL Blumenau: “O comércio está bom, não dá para reclamar”

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Empresário já está à frente da entidade desde o início de 2021 (Foto: Patrick Rodrigues, BD)

O empresário Eduardo Soares, o Duca, foi oficialmente empossado presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Blumenau na noite desta sexta-feira (22) em uma situação atípica. A cerimônia aconteceu pouco mais de um ano e meio depois dele ter assumido o cargo, em janeiro de 2021. A pandemia vinha adiando as formalidades.

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— A gente foi segurando, segurando. Mas chegou um momento que não tinha como escapar — brinca o dirigente.

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A posse coincidiu com o aniversário de 56 anos da CDL e de 10 de criação do núcleo jovem da entidade, “caindo numa data boa para juntar tudo”, diz Soares. Ele concedeu entrevista à coluna no início da tarde desta sexta-feira (22). Fez um balanço da primeira metade do mandato, que vai até 2023, e diz que o comércio de Blumenau já está recuperado da pandemia. Confira:

O que mudou na gestão da CDL nestes quase dois anos?

Ao entrar na presidência, comecei a colocar um foco maior na área comercial. Saímos um pouco da questão de SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), que é o que todo mundo sempre lembra. Trabalhamos nos benefícios que a CDL tem. Isso sempre se falou, mas o consumidor, o lojista e o associado muitas vezes não utilizam. Também voltamos a fazer palestras, fizemos agora com o (Luís) Marins, que é focado no varejo. Foi um sucesso, mais de 500 pessoas no Teatro (Carlos Gomes). Ele foi o primeiro. De agora em diante o ciclo de palestras volta forte.

Esse foco na área comercial já mostra resultados?

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Temos feito follow-ups com os associados, dizendo que ele não está ali só para pagar a mensalidade. Os nossos consultores ligam constantemente, perguntam se tudo está certo. Também reduzimos custos nas consultas ao SPC.

O senhor assumiu a entidade no meio da pandemia, quando ainda não havia vacinas disponíveis e o comércio sentia os impactos de restrições. Qual foi o momento mais difícil?

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Assumi em janeiro do ano passado. A pandemia começou em março de 2020, quando eu era vice-presidente. Ali foi o pior momento. Tivemos que correr para fazer as campanhas (de prevenção) a toque de caixa. Depois foi evitar que fechasse (o comércio) novamente. Tivemos um momento ali no início de 2021 que o governador (Carlos Moisés) estava naquela de fechar ou não. Junto com a federação e outras CDLs, nos mobilizamos para que não acontecesse.

O varejo de Blumenau já está totalmente recuperado da crise sanitária?

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Creio que sim. Blumenau está forte no turismo. O que precisamos agora é fazer o dever de casa. Cada lojista, prestador de serviço, comerciante, dono de restaurante e hotel tem de aproveitar esse boom. Não vamos mais ter aqueles ônibus na Rua XV parando para comprar produtos e marcas de Blumenau, isso não existe mais há muito tempo. O consumo mudou e a forma de consumir mais ainda com a pandemia. Mas o turista vem. Como lojistas, precisamos estar preparados e treinar o nosso pessoal. Vai ter que plantar para colher.

O turismo vai ser a mola propulsora do comércio de Blumenau?

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Temos que aproveitar. O comércio está bom, não dá para reclamar. Independentemente do turismo, o varejo se recuperou. Mas ainda estamos com alguns problemas. Tenho batido já há tempos no aumento dos limites do Simples (para empresas de pequeno porte é de R$ 4,8 milhões, mas a Comissão de Finanças da Câmara dos Deputados já aprovou o aumento para R$ 8,7 milhões). Tudo aumentou. As empresas estão vendendo com valores mais altos, mas não quer dizer que elas cresceram. Quem fica dentro do Simples não está conseguindo se manter. Não é que está faturando mais, está faturando valores mais elevados em função dos custos. Só que o limite do Simples faz anos que não aumenta, e isso não tem a ver com a pandemia. Ela só agravou. Esse é um desafio. Tem empresário que chega em outubro, freia o negócio e não quer mais vender para não estourar o limite, isso não tem sentido. Aí ele deixa de empregar.

Essa é uma articulação que passa por Brasília. Do ponto de vista local, qual a principal demanda?

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Essa gestão (do prefeito Mario Hildebrandt) tem sido muito solícita com o comércio. A gente é chamado por várias secretarias e conversa sobre as mudanças. As coisas não acontecem na base da imposição. Eles querem nos ouvir e também estamos ouvindo eles. Reclamar seria injusto. Tivemos as leis das mesas nas calçadas, dos ambulantes, tudo a CDL foi consultada para realmente entender. Não há reclamação específica do governo porque eles estão sendo parceiros. Mas há o desafio da empregabilidade em Blumenau. Falta gente. Há vagas em aberto, mas temos dificuldade em contratar principalmente na área operacional, onde está o maior problema.

E por que isso tem acontecido?

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O comércio e a indústria estão fortes. Blumenau está em uma curva diferente talvez de outros estados. Mas a mão de obra falta em todas as cidades de SC. Joinville e Florianópolis estão com o mesmo problema. O Estado está pujante. E a própria cultura mudou. As pessoas não querem mais tanto ficar no operacional. Blumenau tem muitas empresas de TI e muita gente acabou migrando para esse setor, o que desfalca outras áreas. Está acontecendo e é um desafio das entidades. Estamos com um projeto, que deve começar no mês que vem, para unir quem quer empregar e quem quer trabalhar no comércio. Vamos treinar essas pessoas, fazendo a ligação entre a empresa com o profissional que ainda não tem experiência.

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