Além das intenções de voto para o Senado Federal, governo do Estado e Presidência da República, a pesquisa Quaest contratada pela NSC e divulgada na última segunda-feira (25) traz um dado que quase passou batido, mas é imensamente revelador: 29% dos eleitores catarinenses se definem como independentes em relação à própria posição política, rechaçando os rótulos de bolsonarista ou lulista.
Este mesmo contingente não se considera nem de esquerda, nem de direita. É a estatística mais relevante do levantamento, capaz de provocar inúmeras leituras. A mais óbvia delas: 3 em cada 10 eleitores estão sugerindo que haveria espaço para uma terceira via furar a polarização que dividiu o país – e Santa Catarina – entre “esquerdistas” e “direitistas”.
Essa terceira via, por ora, parece estar distante de existir e ser viável no cenário federal. Mas o alto percentual dos ditos independentes abre brechas. É, afinal, praticamente um terço do eleitorado dizendo que diante de uma eleição polarizada, principalmente para a presidência, tende a escolher o “menos pior”.
A segunda leitura indica uma volatilidade deste eleitor. O independente pode despejar o voto tanto na direita quanto na esquerda, dependendo dos rumos da campanha. Os trackings dos partidos normalmente conseguem monitorar bem os nichos e os já convertidos. Mas o eleitor que não tem compromisso partidário ou ideológico é discreto, imprevisível e mais difícil de ser rastreado. Ele representa o muitas vezes decisivo voto silencioso.
Esta realidade não atinge apenas Santa Catarina. O mesmo instituto Quaest já mapeou em recente pesquisa que, no Brasil, o percentual de eleitores independentes é até um pouco superior – 32%. Este é um grupo, via de regra, menos interessado na disputa, mas que deve ser o fiel da balança em um pleito onde o fator rejeição pesa mais do que atributos, qualificação para o cargo, planos de governo e propostas para o país.
