Gasparense assume presidência de uma das maiores fabricantes de armas do mundo

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Com 27 anos de experiência no ramo, o executivo Salesio Nuhls acaba de ser nomeado diretor-presidente da Forjas Taurus, uma das maiores fabricantes de armas leves do mundo, onde vai acumular a função com a diretoria de relações com investidores. A empresa mantém uma unidade em São Leopoldo (RS), que tem capacidade para produzir 4 mil armas, e outra em Miami. A linha é ampla e vai de pistolas e revólveres a fuzis e submetralhadoras, passando por modelos esportivos e de caça.

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Os artefatos abastecem principalmente o mercado civil americano (daí a importância da planta lá) e o mercado de segurança e defesa e das forças armadas policiais de vários cantos do mundo. No Brasil a atuação é mais tímida em função das restrições ao porte de armas.

Natural de Gaspar e prestes a completar 57 anos, Salesio iniciou curso de Ciências Contábeis na Furb, mas concluiu a faculdade na Unisinos, no Rio Grande do Sul. Fez carreira nas áreas administrativa e comercial da Linhas Círculo antes de ingressar, em 1990, na Companhia Brasileira de Cartuchos, que em 2014 adquiriu o controle acionário da Taurus. Hoje ele também comanda a Associação Nacional das Indústrias de Armas e Munições (Aniam).

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Nesta entrevista, ele fala sobre os planos da Taurus. Como empresário do ramo, faz, claro, lobby pelo direito à posse, embora reconheça que a arma não é a solução, e sim uma alternativa para combater o avanço da criminalidade.

Quais os desafios e as metas da gestão?

Tivemos uma fase muito importante aqui após a aquisição (da Taurus pela CBC). Tínhamos três unidades e a companhia não tinha o processo de produção muito estabilizado. Nos últimos dois anos focamos muito na centralização das operações, buscando processos e fluxos rigidamente controlados para garantir a integridade do produto e a intercambialidade das peças. Como a gente trabalha no mercado de segurança e defesa e das forças armadas policiais do mundo inteiro, é importante que, ao desmontar três, quatro, dez armas, misturando as peças, elas possam ser remontadas e funcionarem perfeitamente, até porque pode haver panes em armamentos durante operações. Nessa nova fase, na minha gestão, queremos garantir os níveis e a qualidade da produção. Agora no dia 21 estaremos na Shot Show, maior evento de armas e munições do mundo, em Las Vegas. Lá vamos lançar 20 novos produtos.

Qual o volume de produção?

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Isso eu não posso abrir porque é uma questão controlada pelo Exército. Mas eu posso dizer que essa fábrica tem uma capacidade de produção de 4 mil armas por dia. A Taurus talvez seja a única empresa do mundo com um portfólio completo de armas. Somos a maior fábrica de revólveres do mundo e a quarta marca de pistolas mais vendida nos Estados Unidos. Além disso temos as armas táticas, fuzis e submetralhadoras, e uma linha de armas esportivas, de tiro e caça.

Como é a divisão de clientes?

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O grande volume da Taurus vai para o mercado civil americano. Depois são as instituições, que são as forças armadas e forças policiais do mundo inteiro e por último o mercado civil brasileiro, por conta dessas restrições todas.

Qual a sua visão sobre o estatuto do desarmamento?

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Eu sempre digo que esse é um assunto extremamente polêmico, a gente sabe disso. Mas para mim a situação é muito clara. Os brasileiros conquistaram o direito de legítima defesa lá em 2005, no referendo (em votação popular, 64% votaram contra a proibição do comércio de armas de fogo e munição). Essa questão está legalmente resolvida. O que eu acrescento a esse fato é a conscientização das pessoas que possuem armas legais. Quem tem arma registrada em seu nome é responsável pelos seus atos, há um número para se chegar ao nome da pessoa, diferentemente da arma ilegal. O que eu acho que o Brasil tinha que fazer é controlar. Como o estatuto do desarmamento foi criado com a premissa de que o comércio de armas seria proibido no Brasil, a legislação toda foi construída de forma restrita. A arma que é legal não é a responsável pelo aumento da criminalidade. O problema é o descontrole.

A arma é solução para conter o avanço da violência nas cidades?

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Eu não coloco como solução. Eu digo que ela é uma opção. Da mesma forma que você tem um cachorro, uma grade, uma câmera ou um muro alto, você tem o direito como brasileiro, que foi adquirido em 2005. A posse de arma é um direito, o porte não. Sair com ela na rua é uma concessão, você tem que adquirir esse direito de portar uma arma. A posse já é um direito adquirido. O que eu recomendo é que uma pessoa que decide comprar arma de fogo realmente se qualifique para tal. Hoje nós temos no Brasil condições tranquilas de qualificar essas pessoas.

Como a escalada da insegurança pública compromete o desenvolvimento econômico?

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Tudo que não é bem gerenciado e não tem uma política definida gera consequências. O caso da segurança pública, no meu entendimento, é uma questão de vontade política. A gente não vê nos últimos anos por parte dos governos uma política de segurança pública definida. O nosso país vive em crise, isso não é novidade para ninguém. Faltam investimentos. Os nossos policiais são verdadeiros heróis porque lutam com dificuldades de equipamentos e salários e nem por isso deixam de proteger a sociedade. A área da segurança pública, como também a de saúde e outras, realmente carece de investimentos urgentes.

Essa situação retarda a retomada da economia? Tem ligação?

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Sempre tem, porque quando você não tem investimento o dinheiro não gira. Temos que ter planos de investimento para que o país volte a crescer em todas as áreas, inclusive na segurança pública, para que comece a girar dinheiro. Eu acredito que nos próximos anos teremos uma luz pela frente. É com essa visão que a gente está pensando na Taurus, fazendo investimentos para o futuro com novos produtos e mercados.

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