Os investimentos públicos feitos pelo governo de Santa Catarina despencaram no primeiro semestre de 2019 na comparação com igual período de 2015. Em valores liquidados, os aportes entre janeiro e junho somaram R$ 261,06 milhões, uma redução de 61,19% em relação ao que foi executado há quatro anos. Os dados foram extraídos de relatórios fiscais enviados ao Tesouro Nacional, em levantamento divulgado ontem pelo jornal Valor Econômico.
De acordo com a publicação, a comparação foi feita com 2015 para considerar o mesmo período dentro do ciclo eleitoral. Assim como 2019, o ano de 2015 foi o primeiro de gestão dos governadores após as eleições.
O caso catarinense está longe de ser isolado. A taxa de investimentos caiu em 19 dos 26 estados brasileiros, além do Distrito Federal. Juntas, as unidades federativas despenderam R$ 6,96 bilhões no primeiro semestre deste ano, uma redução de 52% frente ao mesmo período de 2015, já considerando a inflação.
Além da queda ter ficado acima da média nacional, Santa Catarina foi o único Estado da região Sul onde os investimentos do governo local encolheram. Os vizinhos Paraná e Rio Grande do Sul contabilizaram crescimento, respectivamente, de 202,79% e 33,58%.
Analistas ouvidos pelo Valor indicam que a mudança na política de concessão de aval pelo Tesouro a partir de 2015 e o alto comprometimento das receitas estaduais com despesas correntes, especialmente as de pessoal, estão entre os fatores que levaram à queda de investimentos. Isso reforça a importância do reequilíbrio fiscal.
Aliás
Vale lembrar que foi em 2015 que a recessão da economia começou a dar as caras. A estagnação e a posterior queda da produção de riquezas sufocaram ainda mais a capacidade de investimento dos governos em todas as suas esferas.