Justiça rouba protagonismo do eleitor brasileiro em dia de caos na votação

Quem deveria ser o exemplo de equilíbrio e zelar pela lisura do processo só jogou mais lenha na fogueira da polarização

Compartilhe:

Prorrogação do horário de votação gerou caos e já alimenta discursos conspiracionistas (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total)

O STF pautou o primeiro turno das eleições mais do que deveria. No segundo, andava esquecido. Mas voltou aos holofotes aos 45 minutos do segundo tempo ao estender o horário de votação do segundo turno das eleições para a presidência das 17h para as 19h. Urnas já haviam sido fechadas. Outras, não. Foi o suficiente para instalação do caos e de todo tipo de narrativa, um resumo do que foi o pleito deste ano.

Continua após a publicidade

Na tarde deste domingo (25), bem antes das 17h, as campanhas dos dois candidatos à presidência da República já haviam solicitado a prorrogação da votação para as 19h – Lula (PT) questionou a falta de transporte público em capitais como Salvador e São Paulo e outras cidades, enquanto Flavio Bolsonaro (PL) alegou fortes chuvas em estados como Santa Catarina, Paraná e São Paulo.

Cabia ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma decisão. Mas aquela que deveria ser a principal guardiã do processo eleitoral lavou as mãos. O presidente Kassio Nunes Marques não matou o assunto no peito, nem para dizer que sim, nem para dizer que não. E o ministro Cristiano Zanin, do STF, interviu quase no apagar das luzes.

Continua após a publicidade

A atuação da Justiça, por omissão ou intromissão, coloca em xeque a disputa e servirá para alimentar narrativas conspiracionistas, independentemente do resultado. Quem deveria ser o exemplo de equilíbrio e zelar pela lisura do processo só jogou mais lenha na fogueira da polarização. No capítulo final da festa da democracia, a Justiça roubou o brilho do verdadeiro protagonista, o eleitor.