Labellamafia, marca ícone de moda fitness, é alvo de proposta de compra quase dois anos após falência da empresa

Empresa de SC fez oferta pela grife, que chegou a faturar mais de R$ 100 milhões entre 2021 e 2022

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Labellamafia chegou a ganhar projeção nacional (Foto: Arquivo NSC Total)

Uma empresa de Santa Catarina fez uma proposta para comprar a marca Labellamafia. A grife chegou a ganhar projeção nacional com moda fitness e a faturar mais de R$ 100 milhões entre 2021 e 2022, mas está fora do mercado desde que a companhia responsável por ela teve a falência decretada, em janeiro de 2025.

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Uma carta de intenção de compra assinada pela empresa Super Moda, constituída recentemente em Palhoça, foi endereçada à administração judicial da massa falida da LBM – razão social da antiga Labellamafia – em 20 de agosto e juntada aos autos do processo de falência nesta terça-feira (8).

A coluna teve acesso ao documento. Nele, a proponente informa que atua com indústria e comércio de confecções e vestuário, o mesmo da Labellamafia, e faz uma oferta de R$ 500 mil pela marca.

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O valor é muito inferior a um laudo de avaliação anterior, que indicou que o ativo valeria R$ 7,24 milhões. Com base nessa perícia, houve duas tentativas de leilão da grife em dezembro do ano passado, mas não surgiram interessados.

A proposta da Super Moda inclui as variações gráficas e fonéticas da Labellamafia, além de ativos digitais da marca. Mesmo fora do mercado, a Labellamafia ainda acumula 883 mil seguidores em uma página no Instagram, cuja última atualização é de 17 de dezembro de 2024.

A Super Moda defende na carta que a oferta é “firme, líquida e apta a converter um ativo até aqui não realizado em recursos efetivos para a massa e seus credores”. E diz que o preço oferecido, apesar de mais baixo do que o do laudo de avaliação, é “economicamente fundamentado”, considerando que os dois leilões não tiveram lances e que a inatividade da marca, sem operação, faturamento e cadeia produtiva, faz com que ela perca valor.

A proposta, informou a proponente, é válida por 60 dias. A administradora judicial da LBM, no entanto, já avisou a Super Moda de que deve haver uma terceira tentativa de leilão para a venda da marca, em data ainda a ser marcada pela Justiça.

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Histórico

A Labellamafia nasceu em 2007 em Florianópolis. De início, tinha foco no streetwear, mas pouco tempo depois enxergou na moda fitness, com peças de roupa para a prática de esportes, um filão. O negócio ganhou corpo com a captação de clientes via redes sociais, com vendas inclusive para mais de 40 países. Além de vestuário, a marca, que chegou a assinar coleções com nomes como Deborah Secco, também apostou em calçados e acessórios.

Em 2023, no entanto, a empresa pediu recuperação judicial. Na petição inicial apresentada à Justiça, a LBM citou aumento de custos com a profissionalização de um negócio pequeno e familiar, além de mencionar valores contraídos para a construção de uma fábrica própria, em 2016. O crescimento das despesas culminou com a busca de capital de terceiros, principalmente bancos.

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O endividamento foi agravado em 2020 por causa da pandemia de Covid-19, quando a produção precisou ser suspensa e o varejo sofreu com queda nas vendas. A Labellamafia alegou que muitos de seus clientes não haviam superado a crise sanitária e que acumulou uma inadimplência de cerca de R$ 20 milhões.

A empresa chegou a elaborar um plano de recuperação judicial, mas as condições para a repactuação das dívidas foram rejeitadas pelos credores. Com isso, a recuperação judicial foi convertida em falência em janeiro do ano passado.