Loja de carrões de luxo de Balneário Camboriú pede na Justiça fôlego para renegociar dívida de R$ 156 milhões

Plano da Bóca Mafra é ganhar tempo para preparar uma reestruturação do negócio

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Empresa atua no segmento premium de veículos (Foto: Reprodução)

A Bóca Mafra, revenda de carrões de luxo com loja em Balneário Camboriú, acionou a Justiça para pedir proteção contra credores. A ideia é ganhar fôlego e tempo para preparar uma reestruturação da operação, garantir o cumprimento de obrigações financeiras e evitar riscos que possam comprometer a continuidade das atividades.

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Na ação apresentada, a empresa diz que passa por “transitória situação de crise econômica”, com dívidas de R$ 156,4 milhões. A Bóca Mafra pede que sejam suspensos por 60 dias execuções e ações de busca, penhora, sequestro ou busca e apreensão de veículos e de outros bens de capital considerados essenciais à manutenção do negócio.

Um dos principais objetivos é impedir que 22 veículos do estoque da empresa, dados em garantia em uma operação financeira e avaliados em R$ 25 milhões, sejam recolhidos. A ação foi protocolada na última semana e ainda não houve julgamento. O juiz do caso pediu mais informações para analisar o pedido. A Bóca Mafra disse à coluna que já está providenciando.

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Os pedidos feitos pela empresa são comuns em ações que antecedem pedidos de recuperação judicial, mas a ideia da Bóca Mafra é se entender e renegociar dívidas com credores em uma câmara de mediação e arbitragem – um procedimento mais simples e rápido –, dispensando a primeira alternativa.

A Bóca Mafra surgiu em 1973 em Brusque, inicialmente como um comércio de secos e molhados. Somente em 1996 a empresa entrou no ramo de automóveis. A loja de Balneário Camboriú, focada em veículos premium e superesportivos, foi inaugurada em 2020. É considerada um marco para o setor na região.

Na ação entregue à Justiça, a empresa alega prejuízos acumulados com a pandemia, aumento da concorrência e necessidade de recorrer a instituições financeiras para obter capital de giro para manutenção do estoque. Além disso, menciona alta da taxa de juros, redução das margens de lucro, alta carga tributária e inadimplência de clientes.

Segundo o empresário Ambrósio Mafra Neto, a empresa já está se mobilizando para promover a reestruturação. A ideia é manter a atuação no segmento, mas talvez em outro ponto comercial. Sobre a ação impetrada na Justiça, ele diz se tratar de uma opção jurídica “para buscar uma solução justa, por meio de diálogo e transparência”.

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“Nossa história foi construída com trabalho e relações de confiança. E é com respeito a essa história e todos envolvidos que queremos conduzir essa etapa”, disse à coluna.