Está quase pronto para sair do papel. O tão falado Distrito de Inovação de Blumenau, que será o segundo projeto do gênero no Brasil – o outro fica em Recife (PE) –, agora tem uma cara e proposta definitivas. O projeto arquitetônico da iniciativa foi apresentado na manhã desta terça-feira (27) em um evento no Centro de Inovação (CIB) que reuniu representantes do poder público, de empresas e da universidade – que formam o que o ecossistema de inovação costuma chamar de tríplice hélice.
As imagens (veja abaixo) revelam uma proposta para revolucionar uma área no bairro Itoupava Seca, que formará o coração do futuro Distrito, cuja gestão ficará a cargo do Instituto Gene. Ali já estão edificados o CIB e o campus 2 da Furb. Entre as duas construções, há um terreno baldio que já foi desapropriado pelo município. É um espaço que, no futuro, vai virar uma grande praça, sem muros, aberta 24 horas por dia à comunidade.
Veja imagens de como será o Distrito de Inovação de Blumenau
Além dessa área de lazer, a primeira fase do projeto inclui também a construção de um segundo prédio de inovação – já chamado de CIB 2 – e o reaproveitamento de duas edificações históricas.
A Casa Salinger, que dá para a Rua São Paulo, será revitalizada. Estuda-se que, pelo contexto do projeto, ela tenha algum tipo de vocação gastronômica depois. Atrás dela, as ruínas do que um dia já foi a Casa da Manteiga serão mantidas, formando uma espécie de hall de entrada do Distrito.
O projeto é fruto de uma mobilização inédita na história recente da cidade. Empresas e entidades de classe (veja a lista de apoiadores abaixo) juntaram-se para custear a elaboração dos projetos arquitetônico e de engenharia do Distrito de Inovação, que serão doados ao município. É uma conta que chegou a pouco mais de R$ 1 milhão. Além disso, um grupo de seis escritórios de arquitetura de Blumenau trabalhou em conjunto na elaboração do conceito do espaço.
Vídeo mostra projeto do DIB
A união não apenas poupou recursos públicos como garantiu que os primeiros projetos ficassem prontos em tempo recorde – cerca de um mês e meio, disse à coluna o arquiteto Marcelo Mannrich, um dos profissionais envolvidos.
No rito tradicional, com o lançamento de uma licitação ou chamada pública, tudo poderia levar no mínimo seis meses a um ano, considerando os prazos legais, possibilidade de recurso e contestação judicial do resultado. A agilidade e a atuação coordenada e cooperada entre diversos entes é uma das marcas do que o Distrito se propõe a ser.
Licitação em 2027
Para executar a primeira fase do Distrito de Inovação, que inclui a criação da praça, a revitalização do patrimônio histórico e o CIB 2, o orçamento estimado é de R$ 45 milhões. O governo do Estado já colocou à disposição R$ 60 milhões para o projeto. Parte da verba já foi usada para desapropriações.
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Empreendedorismo de Blumenau, Walfredo Balistieri, diz que, com a entrega do projeto arquitetônico, faltam apenas alguns projetos complementares. A expectativa é que o edital para a contratação da obra seja lançado já no primeiro trimestre de 2027.
Segunda fase
Uma segunda fase do projeto prevê a implantação de um parque nos fundos da área, próximo ao antigo porto e conectado ao Rio Itajaí-Açu, e um terceiro prédio do CIB. Esta etapa tem um orçamento inicialmente estimado em R$ 18,5 milhões, recurso que ainda será necessário viabilizar.
O que é o Distrito de Inovação
Na prática, o DIB funcionará como um grande “laboratório de ideias”. Geograficamente falando, trata-se de uma área territorial que engloba um raio de pouco mais de três quilômetros que vai da Praça dos Músicos, no bairro Itoupava Seca, até o Senai, já no início do Victor Konder.
Este espaço poderá ter incentivos fiscais específicos para a instalação de novos negócios, estímulos ao empreendedorismo, à geração de empregos qualificados e à sustentabilidade e mudanças no zoneamento urbano para flexibilizar regras de construção e uso do solo, entre outras medidas.
A ideia é diminuir a burocracia e usar essa área como espaço de testes de soluções que podem ser adotadas no restante de Blumenau.
O conceito, porém, vai um pouco além. O DIB também é idealizado para funcionar na prática como uma espécie de bairro inteligente, planejado para que as pessoas não apenas trabalhem e inovem, mas também vivam, estudem e se divirtam com acesso a serviços essenciais em um mesmo território, segundo a proposta da prefeitura.
As entidades e empresas que colaboraram no projeto
- Acib
- Blusoft
- CDL Blumenau
- OAB Blumenau
- Instituto Gene
- Acate-Blusoft
- Somar
- Ampe
- Sintex
- Simmmeb
- Sinduscon
- Sescon
- Artico
- Altona
- Blumenau Iluminação
- Unifique
- Senior
- Fundação Hermann Hering
- WK Sistemas
- Unimed Blumenau
- Nilcatex
- Altenburg
- Fiedler Automação
- Cooper
- Secretarias de Desenvolvimento Econômico e Planejamento de Blumenau
Os escritórios que elaboraram o projeto
- Mannz
- Voo
- Alencar,
- Esquadro
- Osvaldo Segundo
- Stein Arquitetura


























