Adversários nas urnas no próximo dia 4 de outubro, Gelson Merisio (PSB), João Rodrigues (PSD) e Jorginho Mello (PL) têm pontos em comum sobre a visão da economia e o desenvolvimento da infraestrutura de Santa Catarina. Pelo menos é o que indica os respectivos planos de governo (consulte a íntegra aqui) dos candidatos apresentados à Justiça Eleitoral.
A coluna analisou os três documentos, considerando que Merisio, Rodrigues e Jorginho são os três postulantes ao governo mais bem posicionados na pesquisa Quaest de intenção de votos contratada e divulgada pela NSC.
O trio basicamente concorda no diagnóstico inicial: Santa Catarina é um Estado com economia diversificada e vocacionada a partir de suas cinco grandes regiões. O papel do governo passa por ajudar a potencializar esse dinamismo.
Embora costumem ser bastante extensos no conteúdo, os planos de governo são uma prévia do que os candidatos a governador pretendem fazer caso se elejam. Não são escritos em pedra – e estão, portanto, sujeitos a mudanças –, mas ajudam a dar um norte do que pensam aqueles que pedem ao eleitor a chance de comandar Santa Catarina.
A coluna pincelou o que entendeu ser alguns dos principais destaques entre as propostas de viés econômico, que incluem também gestão e infraestrutura. A seguir, em ordem alfabética, um resumo.

Gelson Merisio (PSB)
O candidato do PSB, responsável por dar palanque a Lula em Santa Catarina, resgata propostas tradicionais da cartilha petista, como a defesa de um orçamento participativo. Diz que o Estado, ao contrário de outras unidades da federação, tem condições de ampliar investimentos públicos e enfrentar desafios estruturais sem comprometer a própria sustentabilidade financeira.
Merisio propõe que o Estado atue como um coordenador do desenvolvimento, com políticas que considerem as dinâmicas sociais, econômicas, sociais, ambientais e culturais de cada região. Fala em criar um Sistema Estadual de Inteligência Territorial, integrando base de dados, observatórios regionais e laboratórios de inovação.
O pessebista também defende mais digitalização de serviços públicos e maior integração entre as secretarias. Neste contexto, sugere a criação do Programa Santa Catarina 2040, com uma visão de longo prazo para fortalecer cadeias produtivas, com monitoramento permanente de indicadores econômicos e articulação entre investimentos públicos e privados.
O plano de governo de Merisio também fala em apoiar startups, parques tecnológicos e incubadoras, simplificar o ambiente de negócios para micro e pequenas empresas, fomentar a economia verde e criar um plano de incentivos ao turismo pactuado diretamente com os municípios.
O candidato diz ainda que é preciso estimular a indústria e a cadeia produtiva do segmento de saúde no Estado e criar uma política de infraestrutura logística orientada pela integração entre diferentes modais. Além disso, Merisio resgata uma bandeira recente de campanhas alinhadas à esquerda, sugerindo apoio à implantação de tarifa zero no transporte coletivo das cidades.

João Rodrigues (PSD)
O plano de governo do ex-prefeito de Chapecó se baseia em algumas premissas, como austeridade e otimização de recursos públicos, gestão profissional e transparente, modernização e desburocratização de serviços públicos e inclusão social, sustentabilidade, respeito ao meio ambiente e inovação tecnológica.
Para Rodrigues, falta a Santa Catarina uma agenda estratégica mais clara que oriente o futuro do Estado, o que para ele coloca em risco a competividade da economia catarinense conquistada ao longo de décadas.
Um dos principais pontos do plano é a destinação de 15% da receita corrente líquida do governo para investimentos. Nas contas do pessedista, isso representaria uma quantia de R$ 40,5 bilhões entre 2027 e 2030 – o cálculo leva em conta o comportamento recente das finanças do Estado. A esse montante seriam acrescentados recursos federais, financiamentos e parcerias privadas para ampliar a capacidade de transformação da infraestrutura e serviços públicos.
Na área da gestão, Rodrigues sugere mais transparência em contratos, convênios, nomeações e resultados de políticas públicas. Ele também fala em rever o tamanho da máquina pública, eliminando o que acredita ser estruturas ociosas e improdutivas, embora não aponte que tipo de corte faria, e em redistribuir competências para “corrigir sobreposições e conflitos de decisão”.
O candidato do PSD também propõe, segundo o plano de governo, “resgatar a Udesc” como instituição oficial do ensino superior catarinense, com alocação de recursos necessários à sua expansão, pesquisa e fortalecimento no contexto do desenvolvimento do Estado.

Jorginho Mello (PL)
Metade do plano de governo do governador Jorginho Mello (PL) é dedicado a destacar as entregas do primeiro mandato. O candidato à reeleição lista 71 mil alunos beneficiados pelo programa Universidade Gratuita e 106 mil inscritos em cursos de qualificação tecnológica.
Jorginho também menciona investimentos de R$ 5 bilhões na recuperação e modernização de 3,5 mil quilômetros de rodovias por meio do programa Estrada Boa e cita um “avanço aéreo inédito”, com a abertura de rotas internacionais diretas para Europa, América do Norte e América do Sul e a viabilização de voos regionais.
Para o governador, o modelo de gestão adotado é baseado em responsabilidade fiscal, planejamento e diálogo permanente com municípios. Em letras garrafais no documento, está a informação de que o governo Jorginho não aumentou impostos em quatro anos de gestão.
Para um eventual segundo mandato, Jorginho fala em dar continuidade ao Estrada Boa e em acelerar as obras da Viamar, o futuro corredor expresso paralelo à BR-101. Na área portuária, propõe a conclusão de serviços de dragagem de aprofundamento do canal da Baía da Babitonga, no Norte, e investimentos nos portos de Imbituba e São Francisco do Sul para fazer do Estado o líder na movimentação de contêineres no Brasil.
O plano de governo também sugere acelerar a elaboração de projetos e licenciamentos de ferrovias estaduais, com parcerias público-privadas, a ampliação de linhas de crédito para micro e pequenos negócios e o aperfeiçoamento da política municipalista de transferências de recursos e convênios para as prefeituras catarinenses, para que os gestores locais tenham mais autonomia para fazer com agilidade as obras que a população precisa.
