Entre 2005 e 2025, as importações de Santa Catarina feitas por via aérea saltaram de US$ 200 milhões para US$ 2,7 bilhões. É um estrondoso crescimento de 1.677%, o maior entre os estados brasileiros no período, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) compilados pelo centro de inteligência e estratégia da Federação das Associações Empresariais do Estado (Facisc).
Para se ter uma ideia do crescimento, os dois estados vizinhos da região Sul, Paraná (+155%) e Rio Grande do Sul (+43%), tiveram resultados bem menos expressivos. Em São Paulo, a alta foi de 131%. No Rio de Janeiro e em Minas Gerais, de 771% e 684%, respectivamente. A segunda posição no ranking no período ficou com Goiás (+1.218%).
Os números foram apresentados pela entidade em recente reunião na Acib, em Blumenau. A Facisc entende que a movimentação justifica um investimento em uma segunda pista no Aeroporto de Navegantes para o recebimento desse alto volume.
A atual tem 1,8 mil metros de extensão, o que limita o porte de aviões de carga, que precisam operar só com metade da capacidade disponível – no terminal, cargueiros de pequeno porte, com capacidade para transportar 50 toneladas, podem pousar com somente 25 a bordo. Com isso, Santa Catarina fica mais dependente da chegada dessas mercadorias por São Paulo, que ainda precisam vir ao Estado por terra em uma BR-101 já saturada.
A proposta é que uma segunda pista, de 2,6 mil metros de extensão, seja incluída nas obrigações da concessão do aeroporto e também no reequilíbrio do contrato. Isso permitiria a operação de cargueiros de grande porte, reduzindo a dependência de Guarulhos, em São Paulo, e explorando o potencial de armazenagem de Navegantes, que tem mais de 400 mil metros quadrados de galpões em projeto ou em construção.
Nos cálculos da Facisc, as empresas do Estado ganhariam de dois a três dias do chamado “transit time”, o tempo de deslocamento da mercadoria. As melhorias beneficiariam principalmente o escoamento de insumos para indústrias do Vale do Itajaí e Norte catarinense, regiões que, juntas, concentram 676 mil empresas e respondem por 53% do PIB do Estado.
Além disso, a nova pista abriria possibilidades de o aeroporto de Navegantes começar a exportar cargas, gerando mais movimentação produtiva e arrecadação para o Estado, defende a entidade.
A demanda não é nova, mas volta aos holofotes em ano eleitoral. Ela será incluída no Programa Voz Única, documento que as associações empresariais catarinenses vão entregar aos candidatos da região.
