O tarifaço aplicado pelo governo Donald Trump a produtos brasileiros fez Santa Catarina perder quase R$ 4 bilhões em exportações aos Estados Unidos em um período de um ano, revela um estudo da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) divulgado nesta segunda-feira (19). O levantamento usou como base dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
A pesquisa considerou os efeitos das taxas adicionais em todos os 26 estados brasileiros, além do Distrito Federal. No caso de Santa Catarina, o impacto nos valores exportados chegou a US$ 586,1 milhões, o equivalente a R$ 3,91 bilhões, em valores atualizados. A conta considera as exportações feitas entre agosto de 2024 e julho de 2025 (US$ 1,75 bilhão) e agosto de 2025 a julho de 2026 (US$ 1,17 bilhão). No período, a queda foi de 33,3%.
Segundo a CNM, 1.643 municípios brasileiros, cerca de 30% do total, mantiveram relação direta com o mercado consumidor americano nos últimos dois anos. Em Santa Catarina, 156 das 295 cidades do Estado vendem para os Estados Unidos. Sete em cada dez delas tiveram queda no valor exportado, ainda de acordo com dados do levantamento.
Para a economia catarinense, a indústria madeireira foi a mais impactada, aponta a CNM. O setor também está entre os cinco mais atingidos pelas sobretaxas no país. A variação na quantidade exportada nessa janela de 12 meses reduziu 64%, com perdas de R$ 1,43 bilhão.
A CNM calcula que, desde o primeiro tarifaço anunciado pelo governo dos Estados Unidos, 1.135 cidades brasileiras tiveram algum impacto negativo – 271 municípios, que tinham receitas de R$ 588 milhões com as exportações, chegaram a zerar as vendas para os americanos.
Os prejuízos contabilizados para a economia brasileira chegam a R$ 66,8 bilhões, com maiores retrações em cadeias produtivas do petróleo, café, suco de laranja, ferro-gusa e silvicultura. O estudo indica ainda que 58% das cidades afetadas não conseguiram compensar a perda do mercado americano com outros parceiros comerciais.
Os registros entre agosto de 2025 e julho de 2026 são considerados o menor patamar de exportações de produtos brasileiros para os norte-americanos desde 2021. Nesse período, a receita gerada com os Estados Unidos caiu de US$ 41,5 bilhões para US$ 34,8 bilhões. Com isso, a participação do país na pauta exportadora brasileira recuou de 12,3% para 9,4%.
Metodologia
Para estimar os valores injetados na economia local em real, foram utilizados dados da taxa de câmbio média mensal do dólar no período de 2024 a 2026, extraídos do IpeaData. A plataforma é mantida pelo Ipea e reúne séries estatísticas sobre macroeconomia, finanças, demografia e indicadores sociais do Brasil e do exterior.
Já a conversão de dólares em reais reflete a variação cambial ocorrida no período analisado, como a variação da taxa de câmbio de R$ 5,78 para R$ 5,03 nos meses de abril. Como consequência, a CNM estima que esse efeito de redução das taxas de câmbio, por si só, representou uma perda de R$ 12 bilhões no período analisado.
