Vendas fracas no Natal derrubam valor de mercado da Cia. Hering

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Foto: Divulgação

Um dia depois de anunciar os números prévios – ainda não auditados – do quarto trimestre de 2019, a Cia. Hering viu suas ações derreterem na B3, a Bolsa de Valores. Na terça-feira (21) os papéis da companhia recuaram 12,6%, avaliados em R$ 27,42 — no fim da manhã desta quarta (22), a cotação era de R$ 27,48. O tombo foi suficiente para a tradicional marca de moda de Blumenau perder R$ 642 milhões em valor de mercado, destacou o jornal Valor Econômico.

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A pressão sobre as ações é consequência de um desempenho aquém do esperado no último trimestre do ano que passou. Embora tenha mantido a receita de vendas em 2019 no mesmo patamar de 2018, a companhia viu o faturamento recuar 5,2% entre os meses de outubro e dezembro. O resultado quebrou o ritmo dos três trimestres anteriores, que vinham de alta.

A reta final de 2019 até começou promissora para a Cia. Hering, com recorde de vendas na Black Friday. Mas o bom desempenho não se manteve em dezembro, mês que responde por 22% do faturamento anual da empresa. Em comunicado ao mercado enviado na segunda-feira, a companhia já havia dito que esperava uma “ressaca” no período natalino em função da antecipação de parte das compras. Talvez não imaginasse que ela viria com tanta intensidade.

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Exceção feita ao e-commerce, todos os canais de venda da companhia apresentaram resultados negativos no último trimestre de 2019 em comparação com igual período de 2018. A queda mais significativa veio das lojas multimarcas, que representaram cerca de 40% das receitas no ano: o recuo foi de 13%.

Em teleconferência a acionistas e analistas de mercado na terça-feira, o presidente Fábio Hering admitiu um “sentimento de decepção” com o resultado do Natal. O diretor-executivo de Negócios, Thiago Hering, lembrou da “vocação” da companhia no segmento de presentes, mas reconheceu equívocos na estratégia para o período.

— Criamos uma expectativa de uma evolução no preço médio, de um apetite maior dos consumidores por um presente com um preço um pouco maior do que nos anos anteriores, visto a leve recuperação da economia, mas isso não aconteceu. Em paralelo, tivemos alguns players com algumas ativações bastante combativas, com presentes de R$ 20, R$ 25, R$ 30, boas soluções que a gente não acompanhou com a mesma competência. Isso trouxe uma queda de conversão concentrada em dezembro — analisou Thiago.

Apesar da turbulência de fim de ano, os executivos da companhia demonstraram confiança de que a estratégia de transformação da marca, com uma integração cada vez maior dos canais de venda, está no caminho certo.