Vereador de Blumenau retoma mandato após suspensão de 180 dias e ironiza: “Se preocupam muito comigo. Devo incomodar”

Na volta à Câmara, Almir Vieira (PP) não perdeu a oportunidade de distribuir alfinetadas

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Parlamentar discursou nesta terça-feira (18) pela primeira vez após ter o mandato reestabelecido (Foto: Patrick Rodrigues, Arquivo NSC Total)

O vereador Almir Vieira (PP) recorreu a ironias e a indiretas na volta à Câmara de Blumenau após um afastamento de 180 dias determinado pela Justiça no âmbito da Operação Happy Nation, que apura os supostos crimes de rachadinha, corrupção e lavagem de dinheiro. O inquérito ainda está em andamento.

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No primeiro discurso com o mandato reestabelecido, na manhã desta terça-feira (18), o parlamentar disse que respeita as instituições e defendeu as investigações as quais é alvo – “se existem dúvidas, elas precisam ser tiradas” –, mas não perdeu a oportunidade de distribuir alfinetadas.

“Eu não vou vir para cá para transformar essa tribuna em um tribunal. Nunca me preocupei com as questões de cada parlamentar. Mas infelizmente eu vejo que alguns se preocupam muito comigo. Eu devo incomodar, só pode”, disparou.

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O plenário da Câmara aprovou, em fevereiro, a abertura de uma comissão processante, atualmente suspensa por ordem judicial, que poderia resultar na cassação do mandato. Foram os desdobramentos da operação policial que revistou o gabinete do parlamentar que provocaram a denúncia de suposta quebra de decoro e o afastamento do cargo.

Neste contexto, Vieira citou que “muitas vezes pessoas que não ganham lá na urna” estariam tentando “tirar aquilo que é de direito”. Houve quem interpretasse que a indireta foi endereçada ao ex-promotor Odair Tramontin, pré-candidato a deputado estadual pelo Novo, que tentará se eleger pela primeira vez a um cargo público na quarta eleição que disputará. Tramontin assina a denúncia de suposta quebra de decoro parlamentar recebida pela Câmara.

“Senhores, cuidem dos seus mandatos. Deixa que com o meu mandato eu me viro. Não fiquem afundando órgãos públicos para tentar falar qualquer coisa, procurar qualquer coisa. As denúncias já foram feitas. Deixa acontecer. Cuidem da cidade. Façam o seu trabalho, que o meu trabalho eu sei fazer. E eu sei me defender. Já fizeram o que não precisava fazer”, emendou mais tarde.

Apesar do discurso afiado, de críticas endereçadas à cobertura da imprensa sobre o caso e de levantar uma denúncia, sem muitos detalhes, envolvendo um suposto caso de prevaricação na Câmara, Vieira disse que não está voltando para “alimentar disputas”, mas pelos seus eleitores, e que vai se manifestar sobre as investigações “no momento oportuno”.

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“A crítica faz parte da vida pública. Cabe a nós responder ela com trabalho, sabedoria, respeito e responsabilidade. Hoje eu volto para esta casa com a consciência de que mandato não é privilégio, é responsabilidade”.

Aplaudido por apoiadores que lotaram o plenário da Câmara, Vieira pediu dispensa da sessão logo após encerrar o discurso. Ele saiu sem dar entrevistas para a imprensa.