Vereadores trocam farpas em discussão sobre redução do orçamento da Câmara de Blumenau  

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Foto: Patrick Rodrigues, BD

Foi tensa parte da sessão desta quinta-feira da Câmara de Blumenau. Houve bate boca e troca de farpas depois que Cezar Cim (PP) usou a tribuna para anunciar que um grupo de sete vereadores – além dele, Alexandre Matias (PSDB), Jens Mantau (PSDB), Marcos da Rosa (DEM), Oldemar Becker (DEM), Sylvio Zimmermann (PSDB) e Zeca Bombeiro (SD) – assinou uma proposta de emenda à lei orgânica do município que reduz o duodécimo (o repasse anual feito pelo poder Executivo ao Legislativo) de 5% para 3,5%.

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O debate já é corrente há algum tempo e voltou a ganhar força nas últimas eleições municipais, quando entidades empresariais de Blumenau apresentaram, durante a campanha, sugestões para a redução da estrutura da máquina pública – uma delas era justamente a diminuição do valor repassado pela prefeitura à Câmara, que não gera receita própria e precisa de parte do orçamento do Executivo para desempenhar suas atividades.

Há certo consenso na Casa sobre a necessidade de corte de despesas, mas a maneira como o assunto foi apresentado acabou causando reações mais enérgicas. O vereador Almir Vieira (PP) era o mais indignado. Chegou, ao se referir ao discurso de economia de Cim, a falar em “falsa moralidade” – uma alfinetada em relação a indicações de parlamentares para cargos comissionados na prefeitura – e acusou colegas de “jogarem para a torcida”. Vieira também defendeu a implantação do orçamento impositivo, mecanismo que, na prática, daria poder aos vereadores na indicação de recursos para obras em suas bases eleitorais.

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Teve ainda quem se disse surpreendido pelo anúncio da proposta. O vereador Bruno Cunha (PSB), vice-presidente da Casa, disse que não foi consultado, o que abriria margem, segundo ele, para interpretações de que os parlamentares que não assinaram o documento seriam contrários à redução do repasse. Já Professor Gilson (PSD) também se manifestou dizendo que não foi procurado pelo grupo. Vale lembrar que a proposta precisa de pelo menos oito assinaturas para evoluir.

Nos últimos anos, a Câmara tem anunciado com pompa a devolução de recursos para a prefeitura. Enquanto uns defendem que a redução do duodécimo não faria diferença porque na prática já sobra dinheiro do orçamento do Legislativo, outros defendem que a economia gerada deveria ser “compensada” com o direito dos vereadores carimbarem o destino do excesso. Os argumentos postados à mesa de debate vão do enxugamento de gastos à demagogia populista. O que é difícil de defender é o alto orçamento destinado ao Legislativo. Só neste ano a previsão é de R$ 34 milhões.