No início dessa semana o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) divulgou o 6° Relatório de Avaliação. Esse novo documento reune 233 pesquisadores do mundo inteiro baseado em 14 mil trabalhos cientificos dessa área. Separei alguns tópicos importantes que chama atenção pela sua gravidade.
A primeira informação importante é que pela primeira vez na história a temperatura média do planeta deverá chegar a 1,5°C acima do que ocorreu na era pré-industrial. E isso deverá ocorrer muito rapidamente. A expectativa é que possa ocorrer dentro de no mínimo 9 anos e no máximo 30 anos, ou seja, chegaremos nesse nível de aquecimento entre 2030 e 2052. Isso se continuar a aumentar a temperatura na taxa que vem ocorrendo nas últimas décadas.
Para terem ideia, o aquecimento global antropogênico – provocado pelo ser humano – estimado está aumentando atualmente em 0,2°C por década a temperatura do planeta. Isso devido a emissões passadas de gases, sobretudo C02, do efeito estufa.
ONDE ESTÁ AQUECENDO MAIS
Segundo o relatório o aquecimento é maior no Ártico. Lembrando que o aquecimento é geralmente maior na terra do que no oceano.
O QUE JÁ É FATO
Uma constatação é que o atual aquecimento que vem ocorrendo desde o período pré-industrial continuará a causar mais mudanças de longo prazo no sistema climático, como o aumento do nível do mar e suas consequências.
– Alguns impactos podem ser de longa duração ou irreversíveis, como a perda de alguns ecossistemas. O aumento do nível do mar continuará após 2100, mesmo se o aquecimento global for limitado a 1,5°C no século 21;
– Temperatura média subindo na maioria das regiões terrestres e oceânicas;
– Extremos quentes na maioria regiões habitadas;
– Regiões pelo mundo com aumento da chuva e outras com alta probabilidade de déficits precipitação, mas isso em menos regiões.
CONSEQUÊNCIAS SE A TEMPERATURA FICAR 1,5°C ACIMA DA ERA PRÉ-INDUSTRIAL
– As projeções baseadas em modelos de aumento do nível médio global do mar sugerem uma elevação de 0,26 a 0,77 m em 2100;
– 6% dos insetos, 8% das plantas e 4% dos vertebrados deverão perder mais da metade de suas faixas geográficas;
– Muitas espécies marinhas deverão migrar para latitudes mais altas;
– Perda de recursos costeiros e redução da produtividade de pesca e aquicultura, sobretudo nas baixas latitudes do planeta;
– Os recifes de coral, por exemplo, deverão diminuir em mais de 70-90%;
– Diminuição na produção anual global da pesca marinha de cerca de 1,5 milhões de toneladas.
RISCOS SOCIAS SE A TEMPERATURA FICAR 1,5°C ACIMA DA ERA PRÉ-INDUSTRIAL
De maneira geral se chegarmos nesse aquecimento teremos problemas relacionados ao clima para a saúde, meios de subsistência, segurança alimentar, abastecimento de água e segurança humana.
Os mais atingidos deverão ser populações desfavorecidas e vulneráveis, alguns povos indígenas e comunidades locais que dependem da agricultura ou meios de subsistência costeiros. As regiões com risco maior incluem ecossistemas árticos, regiões secas, pequenos estados insulares em desenvolvimento e países menos desenvolvidos. E olha que se limitar o aquecimento global a 1,5°C, em comparação com 2°C, poderia reduzir o número de pessoas expostas a riscos relacionados ao clima e suscetíveis à pobreza em até várias centenas milhões em 2050, daqui a apenas 39 anos.
Afirmações importantes:
– Deveremos ter mais Ilhas de calor urbanas;
– Riscos de algumas doenças transmitidas por vetores, como malária e dengue, incluindo possíveis mudanças em sua área geográfica;
– Reduções líquidas menores nos rendimentos de milho, arroz, trigo, e potencialmente outras culturas de cereais, particularmente em regiões como a América do Sul;
– Projeta-se que a pecuária seja adversamente afetada com o aumento das temperaturas. Mudanças na qualidade da alimentação, disseminação de doenças e disponibilidade de recursos hídricos.
O QUE FAZER
Ainda da tempo para mudar alguns pontos desse possível cenário. Segundo o relatório, há uma ampla gama de opções de adaptação para reduzir os riscos para os ecossistemas naturais e gerenciados. Podemos evitar degradação e desmatamento, criar gestão da biodiversidade, aquicultura sustentável, irrigação eficiente, redes de segurança social, gestão de risco de desastres, disseminação e compartilhamento de risco e adaptação com base na comunidade. Nas áreas urbanas criar infraestrutura verde, uso e planejamento sustentável da terra e água.
Você ai está consciente? Quer evitar um aquecimento maior do nosso planeta? Dá pra fazer, mas tem que começar agora.
