Há 15 anos, um brasileiro escrevia um capítulo importante na história do ciclismo. No dia 14 de julho de 1991, o paranaense Mauro Ribeiro venceu uma etapa da Volta da França, um dos três maiores eventos esportivos do esporte no mundo. Um feito único até hoje, que teve grande repercussão na época, sobretudo pela vitória conquistada em plena comemoração da Queda da Bastilha, quando todos esperavam um francês vencendo para completar a festa.
– Já faz quinze anos? – indagou Mauro, ao iniciar a conversa sobre a conquista de mais destaque do ciclismo nacional. – Eu realizo hoje o que fiz, porque quando está no meio você vê, mas não realiza. Foi marcante. Fiz uma Volta excelente, com uma vitória, um terceiro lugar e tive duas oportunidades, faltando dois, três quilômetros, de vencer também. Realmente foi um mês abençoado, pelo nível técnico que é – vibrou.
Aos 42 anos de idade, ele continua vivendo intensamente o mundo dos pedais, agora no comando técnico da equipe Extra, sendo um entusiasta da modalidade e um otimista em relação ao crescimento da força brasileira. A sua trajetória começou em 1980, sempre com títulos importantes, inclusive o Mundial Júnior, na Itália, em 82.
Quatro anos depois, quando competia como amador na Europa e tinha excelentes resultados, veio o convite para o profissionalismo, na equipe francesa RMO.
Segundo ele, a maior dificuldade foi superar o bairrismo por ser brasileiro.
– A gente sai daqui com aquela etiqueta Made in Brazil, sul-americano, e pesa. Eu posso dizer que pesa. E você ganha o seu espaço em cima da sua performance. Devagarzinho eu fui ganhando – contou.
Mauro era um ciclista voltado às clássicas (grandes provas de um dia) de Copa do Mundo, como a Milan-San Remo, a Tour de Flanders, a Paris-Roubaix, conhecida disputa dos paralelepípedos. Todas consideradas grandes ícones do ciclismo mundial.
– Eu fazia todas elas e era um ciclista que estava a serviço do Charly Mottet. Era uma satisfação saber fazia parte de um projeto, onde a equipe o considerava como titular – ressaltou. – As equipes têm 20, 23, 24 ciclistas e eu ganhei minha titularidade, sendo o quarto homem da RMO – acrescentou Mauro.