O presidente francês, Jacques Chirac, disse hoje que a cabeçada que o craque francês Zinedine Zidane deu no italiano Marco Materazzi na final da Copa da Alemanha 2006 não é aceitável, mas considerou que é “compreensível”.
– Seu gesto não é aceitável, isso é evidente, e ele disse isso com muito valor, claramente. Não se pode aceitar, mas se houve uma ofensa enorme é possível compreender – afirmou Chirac em sua tradicional entrevista televisionada por ocasião da festa nacional francesa de 14 de julho, quando se comemora a Queda da Bastilha.
O chefe de Estado francês disse que, para que um homem como Zidane, um homem equilibrado, tivesse uma reação dessa natureza deve ter havido algo grave. Chirac reconheceu que não estava sendo objetivo em sua avaliação, pois disse sentir muita admiração, estima e respeito por Zidane, e isso provavelmente influi um pouco. O chefe de Estado francês lembrou que a Fifa abriu uma investigação e, nesse momento, veremos quem é o responsável, e especialmente se houve ou não provocação.
– Se houve uma provocação enorme, o que ignoro, não é possível aceitar, mas é verdade que é possível compreender a reação de um homem – concluiu Chirac.
Ao ser perguntado por um dos entrevistadores, se ele sentia a necessidade de dar “cabeçadas” de vez em quando, Chirac respondeu com uma gargalhada.
– Tento me conter – disse, em tom bem humorado.
Um dia depois da final da Copa, com a vitória da Itália nos pênaltis, Chirac recebeu a seleção francesa no Palácio do Eliseu, reiterou hoje sua “homenagem” à equipe da França e ao técnico Raymond Domenech.
Há dois dias, Zidane disse em duas entrevistas a diferentes televisões francesas que lamentava a agressão a Materazzi que o levou a ser expulso, mas que estava arrependido, e que havia sido uma reação a ofensas contra sua irmã e sua mãe.