A Uefa não deve aceitar com facilidade a indicação do Milan para uma das vagas italianas na fase preliminar da Liga dos Campeões da Europa. Nesta quarta, a entidade convocou seu Comitê de Assuntos Urgentes para decidir se aceita ou não a participação do clube, envolvido em escândalos de corrupção na Itália, na competição.
Na última terça, a Corte da Federação Italiana de Futebol (FIGC) determinou que o Milan perdesse 30 pontos da temporada passada, deixando a equipe na terceira colocação. O Comitê é composto por Lennart Johansson, presidente da Uefa, pelo primeiro vice-presidente, o turco Senes Erzik, pelo tesoureiro, o holandês Jeu Sprengers, e por um membro do comitê executivo.
– Não é comum o comitê de emergência se reunir para avaliar as inscrições. Esta reunião foi convocada para analisar todas as inscrições, e especificamente as dos clubes italianos – admitiu Johansson, que não considerou correta a diminuição da pena do Milan, que iria perder 44 pontos no Italiano de 2005/2006.
Com as punições a Fiorentina e Lazio, que perderam 30 pontos cada, e o rebaixamento da Juventus para a Série B do Italiano, a FIGC inscreveu Inter de Milão e Roma na fase de grupos da Liga, além de Milan e Chievo na terceira fase preliminar. Palermo, Livorno e Parma foram os indicados para a Copa da Uefa.
Se o Milan realmente for barrado, a Fiorentina poderia ter direito a vaga na Copa da Uefa, já que o Empoli não tem a licença necessária para jogar competições européias. Caso o clube de Florença também não seja admitido, a Udinese levaria livremente a chance de disputar, pois o Ascoli também não obteve a licença.
Johansson não admitiu publicamente, mas existe a possibilidade da vaga do Milan ser concedida a outro país, ou a equipe sorteada para enfrentá-lo na próxima sexta-feira – quando a entidade define os confrontos da terceira fase eliminatória – se classifique automaticamente para a fase de grupos.
O problema de “consciência pesada” vivido pela Uefa agora é bem diferente da situação que enfrentou na última temporada, quando não se recuou a dar uma vaga ao Liverpool. Os ingleses eram os atuais campeões da Liga, mas não haviam conseguido vaga através do Campeonato Inglês. O regulamento da competição não concedia vaga automática ao campeão, mas o regulamento foi alterado na última hora, incluindo os Reds na fase preliminar.