Por milagre, apenas 48 horas após o resultado do 1º turno das eleições brasileiras, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) fizeram quatro acenos positivos ao bolsonarismo — um comportamento completamente fora do padrão dos últimos quatro anos.
Vamos aos fatos:
O ministro Alexandre de Moraes autorizou a progressão para o regime semiaberto de Débora Rodrigues dos Santos, a “Débora do Batom”, mantendo-a em prisão domiciliar. O ministro também arquivou a investigação contra os bolsonaristas Marcos do Val, Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio. Paralelamente, a PGR defendeu que Flávio Bolsonaro possa visitar o pai em prisão domiciliar.
Na mesma linha, o ministro Gilmar Mendes arquivou o pedido de investigação por suspeita de estupro contra o candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro.
O que explica esse surto repentino de mansidão da ala governista do Supremo com o bolsonarismo? Houve fatos novos nos inquéritos, provas inéditas ou mudança na jurisprudência? Absolutamente nada.
A verdade é que o STF está sentindo a água subir até o pescoço. Trata-se de puro instinto de sobrevivência para evitar o impeachment, tema que foi a espinha dorsal das campanhas vitoriosas dos senadores do PL eleitos no último domingo.
O cenário escancara o que há de pior — e que só os incautos ainda não haviam percebido: parte do STF, que atuou como sustentáculo do governo Lula nos últimos anos, não se move pelo cumprimento da Constituição e pelo dever de ofício. Move-se para onde sopra o vento do poder, em busca da sobrevivência ou de interesses escusos.
