Concessão do Centrosul mostra visão otimista sobre Florianópolis, mas serve de alerta

Poder público precisa dar contrapartida em infraestrutura de mobilidade e saneamento básico diante do volume de investimento privado que a cidade está recebendo

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Ideia do "novo" Centrosul (Foto: Divulgação, PMF)

O leilão da concessão por 35 anos do Centrosul foi um sucesso e um excelente indicativo da visão que o mercado tem sobre Florianópolis. Os investidores estão dizendo, com dinheiro, que acreditam em bons negócios na capital para as próximas décadas. O lance final de R$ 31,5 milhões, com ágio de 90,91%, deu a vitória à DMDL, de São Paulo.

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Caso fosse um negócio ruim, a empresa, que tem experiência na administração de estádios de futebol, estruturas de Fórmula 1 e da COP30, não entraria. O espaço será ampliado em 25% e passará por retrofit. Uma orla gastronômica à beira-mar será criada, e o estacionamento, melhorado. A conexão com o mar é o óbvio ululante que jamais foi feito. Amém.

O “novo” Centrosul, o Parque Público e a Marina da Beira-Mar Norte, a revitalização do Centro a partir do projeto de Jan Gehl e os projetos que são fruto da atualização do Plano Diretor darão uma nova cara à cidade. Não tenho nenhuma dúvida de que Florianópolis terá, nos próximos cinco anos, sua transformação mais acelerada das últimas décadas.

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Os investidores vencedores são iguais aos craques no futebol: o bom jogador vê o lance; o craque antevê o lance. Ele sabe, antes da jogada, o que irá acontecer e, por isso, leva vantagem.

Uma cidade que atrai investimentos é melhor do que uma que não tem nenhum olhar para quem empreende. O resultado da segunda opção é a mediocridade, a pobreza e a dependência de auxílios sociais. Felizmente, não é o nosso caso, tampouco o de Santa Catarina. Por incrível que pareça, no Brasil de hoje, é preciso dizer o óbvio, embora haja quem prefira que a população dependa 100% do Estado brasileiro.

Voltando a Florianópolis, essa nova cidade será de oportunidades e de mais opções de trabalho. Entretanto, temos enormes desafios.

O principal deles é que o investimento público na oferta de infraestrutura ocorra, no mínimo, na mesma proporção do investimento privado. E isso não está ocorrendo. O BRT, embora com recurso garantido, ainda não saiu do papel. A integração do transporte coletivo, também não. Há investimentos em saneamento básico, mas o problema está longe de ser resolvido. Não se sabe ainda onde lançar o efluente tratado. E, não menos importante, há apenas uma obra de moradia social em andamento na capital. É pouco. Quase nada.

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O setor privado está enxergando o que Florianópolis pode ser daqui a 10, 20 ou 30 anos. Está colocando dinheiro na cidade, assumindo riscos e apostando no futuro.

Agora falta o poder público fazer a sua parte.

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Porque não adianta ter um Centrosul moderno, uma nova marina, um Centro revitalizado e novos empreendimentos se a cidade continuar sem transporte coletivo eficiente, saneamento adequado, moradia para quem precisa e infraestrutura compatível com o crescimento.

O dinheiro privado está chegando. O alerta é para que o investimento público não fique para trás.

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Florianópolis está diante de uma oportunidade rara de mudar de patamar. O setor privado parece já ter entendido isso. Falta o poder público provar que também entendeu.