Empresários de SC apontam carga tributária como o maior desafio para o desenvolvimento econômico 

A informação está na Carta do Comércio 2026 — documento elaborado pela Fecomércio SC

Compartilhe:

A preocupação com os impostos ultrapassou dois itens que haviam ficado no topo da lista em 2022: inflação e poder de compra dos consumidores (Foto: Banco de Imagem)

A alta carga tributária é, neste ano, o principal entrave para o desenvolvimento do setor do comércio de bens, serviços e turismo de Santa Catarina. A conclusão está na Carta do Comércio 2026, documento elaborado pela Fecomércio SC com base em respostas de 483 empresários do setor terciário. Segundo os empreendedores, a carga tributária sobre os negócios é considerada limitante, atingindo uma nota de 9,1 (numa escala onde 10 é a pior nota).  

Continua após a publicidade

Com esse resultado, a questão tributária ultrapassou dois itens que haviam ficado no topo da lista em 2022: inflação e poder de compra dos consumidores. Entre os macrotemas, o desenvolvimento econômico segue em primeiro lugar do chamado Índice de Dificuldade Empresarial (IDE), com uma nota de 8,11. Em seguida, aparecem Trabalho e Qualificação (7,56), Tecnologia e Digital (7,52), Empreendedorismo (7,17), Comércio Exterior (7), Desenvolvimento Regional e Sustentabilidade (6,85) e Segurança e Ilegalidade (6,85).

O presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, destaca que a preocupação com a carga tributária é ainda maior por conta de incertezas relacionadas à reforma tributária aprovada no atual mandato. Ele reforça que ainda não se sabe sequer qual será a alíquota dos impostos de valor agregado, por exemplo.

Continua após a publicidade

“O sentimento entre os empresários é de sufocamento por um conjunto de fatores, entre eles a alta carga tributária,o alto custo do crédito, a instabilidade econômica e a pouca previsibilidade jurídica. Há um debate agora sobre mudar a escala 6×1, por exemplo, em pleno período eleitoral. É algo muito prejudicial para o ambiente econômico, que contamina a tomada de decisão dos empresários, prejudicando empregos e renda”, diz Dagnoni. 

Uma outra pesquisa da Fecomércio aponta para a perda de mais de 27 mil empregos em Santa Catarina apenas no setor terciário, o que mais utiliza essa jornada de trabalho atualmente (acima de 90% dos estabelecimentos). Outro ponto levantado por Dagnoni é o fim da taxa das blusinhas, o que ampliou a concorrência desleal dos marketplaces internacionais, que hoje pagam menos imposto para operar no Brasil do que os lojistas nacionais. 

O presidente da Fecomércio SC salienta que as principais reivindicações do setor dependem mais da esfera federal do que da estadual atualmente. “Santa Catarina possui uma realidade um pouco melhor em relação à média nacional. Os principais temas estruturantes passam por uma ação direta do Governo Federal”, diz Dagnoni. 

Educação

Entre as prioridades apontadas pelos empresários para políticas públicas, destacam-se educação (26%), saúde (22,4%) e segurança pública (19,6%), que juntas concentram 68% das respostas. Infraestrutura e saneamento básico também aparecem entre as principais demandas.

Continua após a publicidade

Vai Turismo

Além da Carta do Comércio 2026, a Fecomércio também participou da elaboração do documento Vai Turismo Santa Catarina, que compila propostas e diretrizes estaduais para o programa de mesmo nome do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur), mantido pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). 

A iniciativa reúne áreas estratégicas como acessibilidade, criatividade, governança, inovação, marketing, mobilidade, segurança, sustentabilidade e tecnologia, com o objetivo de ampliar a competitividade dos destinos turísticos de Santa Catarina e alinhá-los aos padrões internacionais dos Destinos Turísticos Inteligentes (DTI) e às diretrizes da Agenda 2030.

Continua após a publicidade

A proposta enfatiza a integração entre o setor público e a iniciativa privada, prevendo o fortalecimento do Conselho Estadual de Turismo e das Instâncias de Governança Regional (IGRs), além da simplificação de normas e da ampliação do acesso a linhas de crédito. No campo da infraestrutura e logística, o plano prioriza a expansão do turismo náutico, a melhoria dos acessos regionais e investimentos em Unidades de Conservação e parques.

O planejamento também inclui medidas para gestão de riscos e enfrentamento de eventos climáticos extremos, aliadas à implantação de sistemas inteligentes de videomonitoramento e à ampliação da oferta de serviços essenciais nos territórios turísticos.