Há 30 anos faço cobertura jornalística de eleições. É fácil concluir que o pleito de 2026 é o mais deprimente das últimas três décadas. O sentimento é de desencanto, desesperança e até nojo.
Não se vê gente nas ruas que não seja paga ou que esteja lá para garantir uma boquinha, privilégios ou para manter tudo do jeito que sempre foi.
Lula 3 fez um governo sem ideias novas, perdulário ao extremo e baseado no dinheiro público para aquecer a economia. Tudo tem um preço e um fim (esperado). Os dois primeiros anos foram de muitos investimentos em infraestrutura; os dois últimos, de queda considerável. O DNIT que o diga. A verba de infraestrutura foi reduzida a partir da metade do mandato e direcionada a políticas sociais assistencialistas e eleitoreiras, como o anúncio do Bolsa Família a menos de 15 dias do 1º turno e o Desenrola.
A economia anda de lado e em desaceleração. A bomba fiscal está armada — o governo tem gastos recordes e a dívida pública chega a 82,5% do PIB, patamar sem precedentes além do período excepcional da pandemia. Há endividamento da população e recuperações judiciais em patamares inéditos. Gasto não é vida, gasto é sofrimento aos mais pobres. O descontrole fiscal faz o juro estar nos inacreditáveis 13,75%, sufocando o setor produtivo e o crédito no país. Haja Desenrola para resolver.
Num suposto Lula 4, não há como imaginar um ajuste fiscal, algo que nem foi falado na campanha petista. Assim, o resultado é o colapso nas contas públicas. Haja imposto para cobrar do contribuinte. E vem aí a “maravilha” da Reforma Tributária, tão “espetacular” que todos os setores querem ficar de fora dela e buscam um regime diferenciado. Se fosse boa, iriam preferir estar dentro, com certeza.
Flávio Bolsonaro, entretanto, também não detalhou muito o que deseja fazer, além de prometer melhorar o poder de compra do trabalhador e a segurança pública, e de anistiar o pai, em prisão domiciliar. Como melhorar a economia, ninguém sabe; detalhes de um suposto ajuste, também não. Mas é uma sinalização de mudança na economia e é assim que os mercados irão ver uma suposta vitória do “zero um”, ao menos com uma ideia de contenção de gastos.
Lula 3 tem o aumento dos saques indevidos dos aposentados, Lulinha e sua amiga lobista com relações promíscuas no Planalto, e a imagem da corrupção no governo do PT provada na Lava Jato e no Mensalão.
Flávio tem muito a explicar sobre sua relação com o mafioso Vorcaro.
É o que temos. A terceira via inexiste.
E as eleições? O clichê jargão jornalístico “festa da democracia” no dia da votação não deve mais ser utilizado. É quase constrangedor chamar o que estamos vivendo de festa. Democracia pressupõe o equilíbrio entre os poderes, um sistema de pesos e contrapesos. Um Poder Judiciário independente e apartidário. Não é o que se vê na mais alta corte do país.
Ministros que são indicados para blindar quem os nomeou. Ministros com suspeitas gravíssimas de corrupção. Ministros que atuam para se autoproteger. Ministros que atuam deliberadamente em favor de determinada candidatura. Ministros que deveriam prezar pelo cumprimento da Constituição fazem justamente o oposto.
Hoje, claramente, há uma aliança entre parte do STF, o Planalto e a atual presidência do Senado.
A decisão, legítima e soberana do eleitor, será pela manutenção ou não deste status quo.
Bom voto.
