Pilotos de aeronaves cujos patrões são os próprios proprietários são pressionados, em algumas situações, a voar em condições adversas. A coluna conversou com dois pilotos, sob a condição de anonimato. Eles são unânimes em apontar a dificuldade de trabalhar nessas circunstâncias.
O tema ganha relevância após a queda do helicóptero que transportava o cantor Rick, da dupla Rick & Renner, na Serra Catarinense. A aeronave havia decolado de Porto Belo com destino a São Joaquim e os destroços foram localizados nesta terça-feira (22), em uma área de difícil acesso em Urubici. As cinco pessoas que estavam a bordo morreram. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) iniciou a investigação para apurar as causas do acidente.
Cantor Rick morreu na queda de helicóptero na Serra Catarinense:
É importante, porém, não estabelecer qualquer relação entre as circunstâncias relatadas pelos pilotos e o acidente com o helicóptero de Rick. Será preciso aguardar a perícia e o andamento das investigações para saber o que, de fato, provocou a queda.
“A diferença entre ser piloto de uma companhia aérea comercial e de um jato particular é que, no primeiro caso, o profissional é obrigado a seguir protocolos internacionais e regras rígidas de segurança e condições de voo. Não havendo condições climáticas para um voo seguro, a viagem é suspensa. O mesmo não ocorre quando a aeronave, seja avião ou helicóptero, tem um dono que interfere nos itinerários e pensa que a agenda dele é a mesma do clima”, disse um dos pilotos.
Outro piloto apontou que muitos proprietários de aeronaves têm excesso de confiança no equipamento e acreditam que isso é suficiente para voar em qualquer condição.
“Eu fui obrigado a pedir demissão certa vez, quando trabalhava para o governo do Estado”, contou o piloto, sobre um episódio ocorrido há mais de 10 anos.
“O governador da época pedia para levantar voo em qualquer condição, mesmo eu informando que não havia condições seguras de voo. Chegou um momento em que pedi demissão porque não queria correr tantos riscos”, afirmou.





