A virada de chave estratégica na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva do primeiro para o segundo turno foi o fator determinante para garantir a sua vitória nas urnas. A campanha petista se digitalizou de forma agressiva, utilizando a estridência digital e a mobilização intensa em redes como o WhatsApp para rivalizar com a direita no campo virtual.
Para quem estava acostumado a ver as tradicionais manifestações de rua do PT lideradas por bandeiras da CUT e do MST, o cenário mudou. O partido conseguiu mobilizar um eleitorado que antes preferia a abstenção, mas que foi às urnas motivado por uma causa central: evitar o retorno do clã Bolsonaro ao Palácio do Planalto. A campanha do medo, focada na rejeição, funcionou.
Se Flávio Bolsonaro (PL), mesmo carregando um expressivo índice de rejeição, quase liquidou a fatura no primeiro turno, o cenário sugere que o antipetismo poderia ter triunfado caso o candidato da direita fosse um nome de menor desgaste, como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). No entanto, a direita demonstra estar refém do sobrenome Bolsonaro, e pagou o preço político por isso.
Além da estratégia digital, o governo federal jogou pesado com o uso da máquina pública. Medidas de forte apelo popular na reta final, como a antecipação e o aumento do Bolsa Família, as promessas de R$ 5 mil para o MEI e a promessa de concessão de passagens de ônibus gratuitas, deram o empurrão que faltava para consolidar a vitória governista.
O resultado das urnas deixa uma lição clara: o antipetismo continua sendo uma das maiores forças políticas do Brasil, mas perde fôlego quando o contrapeso é o sobrenome Bolsonaro.
Lula caminha para o seu quarto mandato presidencial de forma legítima. Foi a escolha soberana do eleitor, que votou movido pela rejeição ao bolsonarismo.
Contudo, o presidente eleito enfrentará um ano de 2027 extremamente desafiador na economia. O próximo período pode se desenhar pedagógico para o eleitorado, especialmente quando a realidade fiscal se impuser e evidenciar que os recursos públicos chegaram ao limite.
