Como os mais de dois meses de transição não foram suficientes para Carlos Moisés se manifestar sobre seus planos para Joinville, a posse nesta terça vai tornar a providência mais urgente. É compreensível que o governador eleito, logo após a vitória, precisava se familiarizar com a máquina do Estado e montar a equipe, não houve anúncios para região alguma.
Ao contrário de seus principais adversários, Carlos Moisés não assumiu compromissos regionais (nem precisou), mas tal condição não livra o futuro governo de buscar o atendimento das demandas.
Pelo menos indicar o que pretende atender já é um começo. A pauta do Conselho das Entidades Empresariais, preparada para a eleição ao governo do Estado, é um roteiro de reivindicações a servir como guia, até por ser uma lista enxuta, com pedidos concentrados em infraestrutura, como melhorias nos acessos. No segundo turno, Carlos Moisés teve 231 mil votos em Joinville.
Sem secretário
Apesar das especulações sobre a presença de representantes de Joinville no primeiro escalão do governo Carlos Moisés, como no Desenvolvimento Econômico e na Educação, ninguém da cidade foi nomeado.
Um secretário local até conhece melhor as demandas, não precisa ser convencido das necessidades, mas o critério regional está longe de ser determinante para atendimento das reivindicações, como já foi no passado. É pauta vencida. Bem mais importante são os canais de interlocução de Joinville com o novo governo, algo ainda a ser construído.
Pedágios?
Uma das incógnitas da futura administração estadual é referente à concessão de rodovias. No governo Colombo, foi iniciada a montagem de um modelo que envolvia a entrega de estradas estaduais de forma conjunta com vias federais. Na região Norte, a Rodovia do Arroz e a Estrada Dona Francisca seriam leiloadas junto com a BR-280. Só que a disposição para a concessão à iniciativa privada foi manifestada no final de 2015 e, três anos depois, ainda não deslanchou, apesar de terem sido feito estudos pelo Estado. Há pacote semelhante em relação à BR-470.
Sem recurso
O pedágio apareceu como opção por causa da dificuldade de manutenção das rodovias por causa da escassez de dinheiro. O trecho da Estrada Dona Francisca na serra entre Joinville e Campo Alegre é alvo de campanha de entidades empresariais por revitalização e de ação do Ministério Público por mais investimentos em sinalização, iluminação e reparo do pavimento. O acesso ao distrito industrial pela BR-101, uma via estadual, está em condições precárias e até já foi realizada licitação, mas não há fonte definida de recursos.
A SC-417, entre Garuva e Itapoá, é motivo de protestos por melhorias no pavimento.
O governador eleito Carlos Moisés deverá examinar parcerias para as rodovias estaduais, mas defende inicialmente uma força-tarefa para recuperar as estradas.
Mais de 10%
Não é só impressão, realmente houve mais movimento nas estradas neste fim de ano. Entre os dias 20 e 27, período do Natal, a praça de pedágio da BR-101, em Araquari, teve um aumento de 11% no tráfego em relação ao ano passado. Nos dois sentidos da estrada, foi registrada a passagem de 468 mil veículos nesse período. Na imagem, o trânsito na BR-101 na sexta, em trecho em Joinville.
Empregos
Se a contagem for feita com base nos mandatos presidenciais, o melhor momento do emprego em Joinville, em tempos recentes, foi durante o segundo período de Lula, entre 2007 e 2010. Nesses quatro anos, a cidade ganhou 36,7 mil novos postos de trabalho. A coluna utiliza dados desde 2002 porque este é o ano de início da série histórica do Ministério do Trabalho atualizada mensalmente. No primeiro mandato de Lula, entre 2003 e 2006, com 23,1 mil empregos foram abertos em Joinville.
Redução
O pior momento foi durante o segundo mandato de Dilma, iniciado em janeiro de 2015 e encerrado em agosto de 2016 com a confirmação do impeachment – as informações usadas aqui são até maio de 2016, quando houve o afastamento da então presidente. Nesse período, Joinville perdeu 9,8 mil empregos. As demissões continuam nos primeiros meses de Temer, com recuperação a partir do ano passado. Hoje, o saldo é de 12,7 mil novas vagas, já descontadas as perdas em 2016.
Influência
Claro que a geração de empregos não depende apenas da política econômica nacional, há a conjuntura internacional, as escolhas empresariais, a produtividade, entre outros condicionantes. Mas as decisões de Brasília afetam, sim, o mercado de trabalho, embora nem sempre as medidas tenham impacto imediato – podem se refletir até em mandatos seguintes.
O sol compensou
Depois de um trânsito pesado nas BRs 101 e 280, quem escolheu as praias do Litoral Norte para passar o feriadão foi presenteado com o tempo bom. Até apareceram nuvens, mas o sol dominou nos últimos dias. Na foto, a praia de Barra Velha, ao fundo, na manhã de domingo.
Gasto na ADR
Neste ano, a ADR de Joinville gastou R$ 48 milhões. A maior parte dos recursos, em torno de R$ 30 milhões, foi para pagamento de convênios e custeio das estruturas do governo do Estado.
Transporte escolar, reparos em escolas, repasses às Apaes, entre outras despesas, também entram nessa conta. Os investimentos, como construções e compra de equipamentos, foram de R$ 8,8 milhões (há investimentos do Estado pagos por outras fontes). As despesas com pessoal ficaram em R$ 8,9 milhões, conforme o Portal da Transparência.
Relação com o governador
Ainda que não tenham mantido contato, a relação entre Carlos Moisés e Udo Döhler tem grandes chances de ser amistosa, pelo menos até a eleição de 2020. O prefeito não embarcou nas críticas à “falta de representatividade” de Joinville no secretariado nem vem se manifestando sobre as obras necessárias, por enquanto. Se quisesse, já podia ter criado caso, se queixar de ainda não ter sido recebido, “logo o prefeito da maior cidade” etc. No começo dos governos Colombo, a relação era próxima entre o governador e o prefeito e depois desandou.
O que já é suficiente
Sempre próximo de Colombo, Udo se irritou quando o governador apareceu no horário eleitoral de Darci de Matos na eleição municipal de 2016 e passou a “culpar” o Estado pelo atraso na ponte do Adhemar Garcia e em repasses de remédios. Udo queria que Colombo fizesse como em 2012, quando o governador ignorou o candidato a prefeito de seu partido, Kennedy Nunes. Agora, Moisés começa com o crédito, do ponto de vista do prefeito, de ter derrotado Gelson Merisio, além de ter sido o preferido de 231 mil joinvilenses no segundo turno e ser ligado ao futuro governo federal. Por enquanto, é o que basta.
Penitenciária
A construção da Penitenciária Industrial de São Bento do Sul, com edital de concorrência lançado em dezembro e abertura das propostas no final de janeiro, vai custar perto de R$ 29,7 milhões, o valor máximo da licitação. Serão abertas 324 vagas na unidade a ser construída no município do Planalto Norte.
Diferença
Em 2019, poderá ser ainda maior a distância do salário dos vereadores de Joinville com o que poderiam ganhar como subsídio. Como a cidade tem mais de 500 mil habitantes, os parlamentares teriam direito a receber até 75% do subsídio dos deputados estaduais. É o que diz a Constituição. A Assembleia Legislativa atualizou a lei e os deputados estaduais podem receber até 75% do salário de um deputado federal. Se a Câmara acompanhar o reajuste dos ministros do STF, os salários dos deputados estaduais podem subir para R$ 29,4 mil.
Se tiver…
Mas o aumento só ocorrerá se os deputados federais reajustaram seus salários. Se isso não ocorrer, nada muda e os deputados continuam recebendo R$ 25,3 mil. Portanto, já hoje, sem eventual efeito cascata por conta de reajuste do salário dos federais, o subsídio de um vereador de Joinville poderia ser de R$ 19 mil. Hoje, é de R$ 12,8 mil e, em 2019 e 2020, só vai subir o que for concedido aos servidores, ou seja, provavelmente a inflação (mais do que isso, teria que ter valor definido na legislatura anterior).