A construção de ponte ferroviária sobre o canal do Linguado, em São Francisco do Sul, está entre as sugestões apresentadas na consulta pública sobre a futura concessão da Malha Sul. São pelo menos cinco manifestações em defesa da implantação da estrutura na lista de obras do futuro contrato. O período para manifestações se encerra na próxima quarta-feira (30).
Imagens do Linguado
A participação, assim como a consulta de toda a documentação preparatória para a concessão, é possível por meio do site da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O planejamento é de realização do leilão em 2027, ainda que atual concessão, com vencimento em fevereiro, venha a ser prorrogado por dois anos para permitir a transição contratual.
O Ministério Público Federal (MPF) está entre as entidades que se manifestaram em defesa da construção da ponte ferroviária, estrutura necessária caso o canal do Linguado venha a ser reaberto. Antes do fechamento, em 1935, a travessia dos trens era feita por meio de ponte, que inclusive contava com dispositivo giratório para permitia a passagem de embarcações – o aterramento foi feito porque a ponte ameaçava cair.
A reabertura do Linguado, inclusive com instalação de pontes rodoviária e ferroviária, vem sendo defendida há décadas, mas ganhou mais relevância no momento por causa da duplicação da BR-280, rodovia que cruza o Linguado ao lado da ferrovia e é o único acesso terrestre a São Francisco do Sul e, portanto, ao porto da cidade – onde são movimentadas 17 milhões de toneladas de cargas por ano.
Novo projeto
O segmento faz parte do lote 1 da duplicação, no qual as obras estão paradas desde 2022. Como o projeto estava defasado, o DNIT contratou a revisão e incluiu a avaliação de ponte no Linguado. A providência atende recomendação do MPF, baseada em levantamento técnico da Univali, que apontou a viabilidade da reabertura do canal, em trecho de 100 metros, suficiente para permitir a volta da circulação das águas. A sugestão é de ponte ferroviária móvel, para permitir a passagem de barcos. Eventual construção de ponte não garante a reabertura, mas deixa o aterro preparado para a futura remoção, a ser definida em licenciamento ambiental específico.
No entanto, a contratação é referente ao projeto. Depois, será preciso buscar os recursos para as obras. Por isso, está sendo solicitada a inclusão da ponte ferroviária na nova concessão. A Malha Sul, hoje lote único, foi dividida em três segmentos, com o Linguado integrante do Corredor Paraná-Santa Catarina. O trecho faz parte da linha Mafra-São Francisco do Sul, a única da malha em operação em Santa Catarina. Na documentação inicial da futura concessão não havia previsão de obras no Linguado.














